Principal congresso de Sociologia do país, na USP, discutirá temas como ascensão de extremas-direitas, efeitos climáticos e guerras na Europa e no Oriente Médio

22º Congresso da Sociedade Brasileira de Sociologia acontecerá entre 15 e 18 de julho na FFLCH, reunindo principais pesquisadores(as) do campo em torno de debates do mundo contemporâneo

Nos últimos anos, fenômenos sociais como a ascensão de extremas-direitas, crises das democracias, novos conflitos em torno de marcadores de diferença ou ainda os efeitos perversos das mudanças climáticas – especialmente no Sul global – e os rearranjos da ordem mundial em meio a guerras paralelas na Europa, no Oriente Médio e na África têm sido desafios para ciências sociais tais como a Sociologia.

É por isso que esses fenômenos vão atravessar boa parte das discussões do 22º Congresso Brasileiro de Sociologia, encontro mais importante do campo do país, organizado a cada dois anos pela Sociedade Brasileira de Sociologia (SBS) reunindo alguns dos principais nomes da pesquisa sociológica brasileira e do exterior. Neste ano, no total, serão mais de mil pesquisadores e pesquisadoras divididos em pelo menos 100 atividades distintas.

Depois de Belém (PA), que recebeu a conferência em 2023, ela acontecerá agora na Universidade de São Paulo (USP), em São Paulo, entre 15 e 18 de julho. E, não à toa, o tema será: “o mundo contemporâneo desafia a sociologia”.

Jornalistas interessados(as) devem solicitar credenciamento por e-mail (veja mais informações abaixo). A programação completa pode ser acessada clicando aqui.

Ao longo dos quatro dias do evento, serão 50 mesas redondas – com temas que vão da Inteligência Artificial (IA) à religião, ou do mercado de drogas à literatura –, 30 sessões especiais, 25 grupos de trabalho (GTs), cinco fóruns, além da programação mais esperada: minicursos que, geralmente, são ministrados por convidados de universidades internacionais.

Do fascismo aos efeitos climáticos

Entre esses destaques estão a socióloga canadense Michèle Larmontprofessora da prestigiada Universidade Harvard, nos Estados Unidos, que acabou de lançar o livro Seeing Others: How Recognition Works and How It Can Heal a Divided World (sem tradução para o português), sobre dinâmicas sociais de reconhecimento no contexto do seu país. Ela, que também tem estudos sobre o tema em países como Brasil e Israel, especialmente sobre populações negras, falará sobre eles na quinta-feira (17), às 17h45.

Outro nome de peso é o do historiador argentino Federico Finchelsteinda New School for Social Research, em Nova York, nos EUA. Referência nos estudos sobre extremas-direitas em diferentes partes e momentos do mundo, ele protagonizará um minicurso na quarta-feira (16), às 11h, muito a partir da sua última publicação, Wannabe Fascists: A Guide to Understanding the Greatest Threat to Democracy, de 2024, em que aborda as muitas variáveis que explicam o retorno de Donald Trump ao poder nos EUA e o que o sustenta – assim como outros líderes semelhantes em outras partes do globo.

No mesmo dia, a socióloga filipina Emma Porio, da Universidade Ateneo de Manila, vai abordar os temas que atravessam suas pesquisas sobre efeitos das mudanças do clima a partir de variáveis como gênero, raça e classes sociais, ou ainda como países do Sul global – como Brasil, mas também Filipinas – têm elaborado políticas para lidar com esses impactos.

Mais cedo, o presidente da Associação Internacional de Sociologia (ISA), Geoffrey Pleyers, da Universidade de Louvain, na Bélgica, vai dividir uma mesa justamente sobre os desafios da sociologia na América Latina e no Caribe com a pesquisadora uruguaia Ana Rivoir, da Universidade da República (Uruguai), e com o sociólogo Pablo Vommaro, que assumiu há pouco tempo a diretoria do Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais (CLACSO).

Entre os convidados internacionais ainda estão Zhang Yi, que dirige a Academia Chinesa de Ciências Sociais (CASS, na sigla em inglês) e é presidente da Associação Chinesa de Sociologia (CAS), além de ser um dos grandes nomes dos estudos sobre estratificação social e dinâmicas do trabalho no gigante asiático, e Jean-Louis Fabiani, da Universidade Central Europeia (CEU, em inglês), em Budapeste, na Hungria, que vai partir de suas investigações sobre trajetórias intelectuais em um dos minicursos.

Dos protestos à Inteligência Artificial

Além dos temas que ocupam agendas de pesquisa globais, o congresso da SBS terá também uma miríade de discussões sobre fenômenos sociais relevante dentro do contexto brasileiro nos últimos anos.

A socióloga Angela Alonso, ex-presidente do CEBRAP e autora de Treze: A política de rua de Lula a Dilma (Companhia das Letras, 2023), será um dos nomes de uma mesa que discutirá manifestações políticas recentes no país, que vão aos vários lados do espectro político, ao lado de Rafael de Souza (UFF) e de Patrícia Jimenez Resende, da USP.

Já a cientista política Camila Rocha, diretora científica do CEBRAP e autora, entre outros, de Menos Marx, Mais Mises (Todavia, 2021), vai abordar questões ligadas à digitalização e a retrocessos sociais em uma mesa cujo tema atravessa a condição juvenil mediada por dispositivos como smartphones e tablets.

Outro nome relevante é o de Enio Passiani, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFGRS), que estará à frente de uma das mesas mais disputadas de toda a conferência: Literaturas e sociedades: crises contemporâneas, na quarta (16), às 9h. Ele estará acompanhado por um time de referências no campo, como Maurício Hoelz (UFRRJ) e Irlys Alencar Firmo (UFCE), além de Jean-Louis Fabiani, da CEU, em Budapeste.

Haverá ainda conversas focadas em debates relevantes no cotidiano do Brasil, tais como a mesa-redonda Mercados e políticas (i)legais das drogas: figurações no e através do Nordeste brasileiro, coordenada por Paulo Cesar Fraga (UFJF) que trará um panorama da região como rota de entorpecentes para outras partes do país e ao exterior. Outra será sobre populações em situação de rua, que terá tanto dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) quanto discussões mediadas pela pesquisadora Fraya Frehse.

Outras duas discussões atuais serão sobre a descarbonização da economia, já na quarta-feira (16), às 9h, coordenada por Marcelo Carneiro, professor de Sociologia da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), e sobre a Inteligência Artificialmediada por Veridiana Domingos, docente da FFLCH-USP.

Filmes e fotografias

A programação da conferência da SBS incluirá também duas mostras diferentes: uma de cinema e outra de fotografias. Na primeira, serão 14 exibições entre filmes de ficção e documentários – como o de Gian Ferrari Slukich, do Conselho Nacional de Investigações Científicas e Técnicas (Conicet), da Argentina, sobre a exploração de lítio em minas de sal argentinas, ou o de Ana Clara Chequetti sobre a desigual distribuição de água no bairro do Caju, no Rio de Janeiro.

Já entre as 15 mostras fotográficas do evento, há desde ensaios sobre as tragédias em São Sebastião, em São Paulo, em 2023, até imagens sobre a cena da pichação na metrópole, ou desde o cotidiano de comunidades ribeirinhas amazônicas até as práticas gastronômicas de uma praia do litoral capixaba.

SERVIÇO

22º Congresso Brasileiro de Sociologia | Sociedade Brasileira de Sociologia

Quando: de 15 a 18 de julho (terça a sexta-feira)

Onde: Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), Universidade de São Paulo (USP)

Programação completa disponível aqui.

Deixe comentário