As Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação na Formação Inicial de Professores de Matemática

As Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação na Formação Inicial de Professores de Matemática

José Silvino Dias[*]

Resumo: Esta pesquisa busca compreender como as tecnologias digitais de informação e comunicação (TDIC) podem contribuir para o processo de ensino e aprendizagem de Matemática na formação inicial de professores de Matemática no Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG). Tendo como objetivo realizar um estudo teórico sobre as TDIC e analisar as tecnologias utilizadas por alunos e professores. A metodologia é de cunho qualitativa e prevê a colaboração entre pesquisador, professores e alunos para entender as contribuições do uso dessas tecnologias.

Palavras-chave: Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação; Ensino e Aprendizagem; Formação Inicial de Professores; Educação Matemática.

Abstract: This research seeks to understand how digital information and communication technologies (DICTs) can contribute to the teaching and learning process of mathematics in initial mathematics teacher training at the Federal Institute of Minas Gerais (IFMG). The objective is to conduct a theoretical study of DICTs and analyze the technologies used by students and teachers. The methodology is qualitative and involves collaboration between researchers, teachers, and students to understand the contributions of these technologies, involving theoretical studies, presents the contributions of these technologies.

Keywords: Digital Information and Communication Technologies; Teaching and Learning; Initial Teacher Training; Mathematics Education.

Introdução

A presente pesquisa tem como objetivo analisar o uso das tecnologias digitais de informação e comunicação (TDIC) utilizadas na formação inicial de professores de Matemática do Instituto Federal de Minas Gerais – Campus São João Evangelista (IFMG/SJE). A realização de cursos preparatórios para professores serve como motivação para esta investigação, permitindo que eles pudessem utilizar ferramentas que auxiliassem no ensino dos conteúdos de Matemática para os alunos do curso de Licenciatura em Matemática.

A pesquisa também é incentivada por discussões e aprofundamentos teóricos sobre as contribuições (ou não) do uso das tecnologias digitais como forma de enriquecer os conhecimentos tanto dos professores quanto dos alunos. Espera-se que esta pesquisa possa contribuir para uma tomada de decisão institucional, visando a inserção das TDIC nos projetos pedagógicos de ensino, mais próximos dos anseios da comunidade acadêmica que busca novas metodologias de ensino da Matemática.

A integração da tecnologia na educação é um movimento global e contínuo. O que nos salta aos olhos é que os professores estão à frente desse processo, sendo incentivados a criar conteúdos em meios digitais para dar sequência ao aprendizado dos seus alunos. Os professores têm sido convidados a se reinventar e utilizar as Tecnologias Digitais de Interação e Comunicação de forma completa, segura e que promovam não apenas o aprendizado, mas a interação com a escola.

Essa tecnologia assumiu nomes distintos que simbolizaram diferentes épocas: Logo, informática, educação matemática online, tecnologias da informação, tecnologias da informação e comunicação, internet etc. Os diversificados termos utilizados enfatizaram diferentes aspectos desta tecnologia que está em constante movimento.

Nesse ínterim, o problema maior pode ser a falta de preparação, tanto de professores como de alunos. Isso levanta questionamentos como: “Os professores estão preparados para esta realidade? Eles têm conhecimentos e habilidades necessários para a elaboração de materiais digitais? E quais são as habilidades necessárias para tal?”.

Referencial Teórico

Segundo Levy, a relação entre tecnologia e saber exige uma análise prévia de três aspectos: a velocidade do surgimento de saberes, a nova natureza do trabalho (onde “trabalhar quer dizer, cada vez mais, aprender, transmitir saberes e produzir conhecimentos”) e o fato de o ciberespaço suportar tecnologias intelectuais que amplificam, exteriorizam e modificam funções cognitivas humanas como memória, imaginação, percepção e raciocínio. (Lévy, 1999, p. 157).

De acordo com Mill, a cultura ciberespacial e o discurso tecnológico, levaram a noção de educação a um patamar de uso intensivo de artefatos e alterações significativas nos processos pedagógicos. Portanto, a emancipação e a capacidade crítica ao acesso às tecnologias tornam-se importantes. Mas “como educação e tecnologia devem se articular em favor desse processo civilizatório mais justo para a formação humana?”. (Mill, 2013, p.16).

No que diz respeito ao ensino e aprendizagem da Matemática, Borba, Silva e Gadanidis discutem como a tecnologia digital tem sido usada em vários momentos da Educação Matemática. Essa tecnologia assumiu nomes diferentes, como Logo, informática, educação matemática online, tecnologias da informação e comunicação, e internet. Vídeos, internet, Facebook, GeoGebra, YouTube e GeoGebraTube são exemplos de palavras que se incorporam à educação e transformam a sala de aula. (Borba, Silva e Gadanidis, 2020, p.13-14).

Recursos Metodológicos

A proposta de pesquisa é qualitativa. Garnica caracteriza a pesquisa qualitativa por ter: a transitoriedade de seus resultados; a impossibilidade de uma hipótese a priori; a não neutralidade do pesquisador; a constituição de suas compreensões como uma trajetória em que elas podem ser reconfiguradas; e a impossibilidade de estabelecer regulamentações em procedimentos estáticos. (Garnica, 2019, p.81)

O público-alvo será composto por uma turma de alunos do curso de Licenciatura em Matemática do IFMG-SJE e seus professores. A proposta é criar um grupo colaborativo ao longo de um semestre para discutir as contribuições da utilização das tecnologias digitais de informação e comunicação (TDIC). O grupo colaborativo se justifica por buscar o protagonismo dos participantes e a troca de experiências.

Fiorentini destaca que a participação nesse tipo de grupo é voluntária, com os membros buscando crescimento profissional e autonomia. Nesses grupos, há um forte desejo de compartilhar saberes e experiências, com momentos para conversas informais e discussões sobre práticas escolares. A confiança e o respeito mútuo são essenciais, e os participantes podem produzir e sistematizar conhecimentos por meio de estudos sobre suas práticas, resultando na criação de textos para publicação. (Fiorentini, p.60, 2019).

Palanch e Marinque (2016) sustentam que os contextos de colaboração são fundamentais para ampliação do conhecimento docente, tanto no que se refere à mudança da ideia que se tem da Matemática, construída na vivência enquanto estudante, quanto na formação acadêmica, possibilitando trocas importantes de experiências entre os membros presentes. (PALANCH; MARINQUE, 2016, p. 201).

A pesquisa será desenvolvida em três fases, a saber:

  • Fase I (Preparação da pesquisa): estudos teóricos e documentais a respeito das TDIC disponíveis no mercado para o ensino da Matemática e suas possibilidades, além da preparação da construção do grupo colaborativo;
  • Fase II (Desenvolvimento da pesquisa): constituição e desenvolvimento de atividades no grupo colaborativo e estudo das TDIC utilizadas pelos professores do IFMG/SJE, aplicação de questionários antes e após a pesquisa realizada com os alunos; grupos focais, entrevistas semiestruturadas com os docentes e acompanhamento de aulas dos professores participantes;
  • Fase III (Reflexões sobre a pesquisa): análise e discussão dos dados da pesquisa, bem como seu relatório final.

Todas as fases da pesquisa serão gravadas em áudio e vídeo, a fim de auxiliar o pesquisador na busca por dados, com a intenção de cobrir, ao máximo, os dados não somente falados, mas, também, gestos, posturas, interpretações faciais etc, possibilitando uma análise mais abrangente ao pesquisador.

Os procedimentos metodológicos incluem questionários iniciais e finais com os alunos para entender a tecnologia que eles utilizam, além de seus perfis socioeconômicos e educacionais. A pesquisa também envolverá a observação de aulas e entrevistas com os professores para compreender seus pensamentos e atitudes em relação ao uso da tecnologia.

Considerações Finais

Espera-se que esta pesquisa possa contribuir para uma tomada de decisão institucional que privilegie a inserção das TDIC nos projetos pedagógicos de ensino, alinhando-os aos anseios da comunidade acadêmica, que procura novas e mais eficazes metodologias de ensino da Matemática.

Referências

BORBA, M. C., SILVA, R. S. R., GADANIDIS, G. Fases das Tecnologias Digitais em Educação Matemática: Sala de Aula e Internet em Movimento. 3. ed., Belo Horizonte. Ed. Autêntica, 2020. P.13-14.

FIORENTINI, D. Pesquisar práticas colaborativas ou pesquisar colaborativamente? In: BORBA, M. C; ARAÚJO, J. L. (Orgs.) Pesquisa qualitativa em Educação Matemática. Belo Horizonte: Autêntica, 2019, p.60.

GARNICA, A.V.M. História Oral e Educação Matemática. In BORBA, M.de C. e ARAÚJO, J. de L. Pesquisa Qualitativa em Educação Matemática. Belo Horizonte: Autêntica, 2019, p.81.

LÉVY, P. Cibercultura. Trad.Carlos Irineu da Costa. 2.ed. São Paulo: Editora 34, 1999, p.157.

MILL, Daniel. Mudanças de mentalidade sobre educação e tecnologia: inovações e possibilidades tecnopedagógicas. In: MILL, Daniel (Org.). Escritos sobre educação: desafios e possibilidades para ensinar e aprender com as tecnologias emergentes. São Paulo: Ed. Paulus, 2013, p.11-38.

PALANCH, Wagner Barbosa de Lima; MANRIQUE, Ana Lúcia. Ações colaborativas universidade – escola: formação de professores que ensinam matemática em espaços colaborativos. Revista Eletrônica de Educação (São Carlos), v. 10, 2016, p.188-202.

Como publicar na Revista Virtual P@rtes. DIAS, José Silvino


[*]Doutorando em Educação pela UFU, Professor EBTT do IFMG/campus São João Evangelista, e-mail: jose.silvino@ifmg.edu.br.

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