E O OSCAR VAI PARA…

Comecei a acompanhar a trajetória do basquetebol brasileiro a partir dos Jogos Americanos de Cali, na Colômbia, em 1971.
Primeiro me impressionei muito com Norminha, Elzinha e Maria Helena. Depois foi a vez de Adilson, Marquinhos, Carioquinha, o gigante Emil Rached, que nem precisava pular para fazer cesta, e o fantástico Hélio Rubens, que usava as duas mãos para fazer seus lances livres.
Na época, havia um canal de TV que transmitia jogos da seleção masculina além de campeonatos regionais e nacionais.
Sírio, Palmeiras, Trianon, de Jacareí e o Emanuel, de Franca eram presenças constantes, todos com excelentes times. Numa época em que ainda não havia cesta de três pontos, Fausto as fazia uma mão nas costas. Era curioso ver como Mosquito conduzia a bola.
Ubiratan era raça pura, enquanto Marquinhos pivotava com maestria, e Marcel já despontava como promessa quase consumada.
O ano de 1979 foi particularmente memorável, pois surgiu a rivalidade entre Hortência e Paula.
Elas, já famosas, foram convidadas para um programa esportivo, em que praticamente todos os jornalistas pareciam só entender de futebol e boxe. Lembro de um deles perguntar que esporte elas praticavam…
No mesmo ano, outra estrela começava a brilhar intensamente: Oscar Schmidt! E como brilhou!
Sua presença em quadra era luminosa, mistura de raça, paixão e técnica, que o levou a conquistas impressionantes, e reconhecimento internacional, ao ponto de estar presente em vários “halls” de fama.
No Panamericano de Indianápolis de 1987, na terra do melhor basquetebol do mundo, ele, Marcel & Cia. protagonizaram a antes impensável derrota dos EUA, a qual motivou uma revolução nos esportes olímpicos, permitindo que atletas profissionais de esportes coletivos pudessem compor as delegações de seus países, a partir daí.
Oscar é um dos maiores pontuares da história do basquete mundial, com 49.737 pontos anotados ao longo de sua carreira! Também é dele o recorde de pontos em Olimpíadas: 1.093!
Tudo em Oscar era superlativo, inclusive sua postura como atleta e ser humano, um titã também na luta contra um câncer.
Acompanhar sua carreira foi um privilégio! Ouvir suas opiniões: a certeza de que ele era muito mais do que um atleta de ponta!
Quando o chamavam de “Mão Santa”, tamanha a precisão de seus arremessos, ele respondia que eram mãos treinadas. Ele era o “Pelé” do basquete até nesse mister!
Para onde ia o Oscar? Ia sempre direto para a cesta, de qualquer distância!
Que Gui Santos siga o mesmo caminho!
E agora, para onde foi Oscar?
O Oscar foi para o céu, trocar passes com Marquinhos, Ubiratan e tantos outros craques, provavelmente comandados por Cláudio Mortari, para o delírio dos anjos.
Quem sabe Vlamir Marques e Rosa Branca também se juntem ao time.
O céu nunca mais será o mesmo!
Adilson Luiz Gonçalves
Escritor, Engenheiro, Pesquisador Universitário e membro da Academia Santista de Letras






