MANIPULAÇÃO SUBLIMINAR x IA
Colombo 

A primeira vez que ouvi falar em condicionamento mental e propaganda subliminar foi na interface das décadas de 1960 e 1970, por meio de um filme e uma série de TV.

Não lembro o nome do filme, algumas pessoas “acima de qualquer suspeita”, que haviam sido submetidas a um processo de condicionamento intensivo, apagado do consciente, ao serem estimuladas por uma palavra ou expressão específica, se tornavam assassinos resolutos.

Ainda era época de Guerra Fria e essa seria uma das “armas” dissimuladas utilizadas.

Posteriormente, outros filmes abordaram esse tema, com pessoas sendo usadas como se fossem autômatos controlados externamente ou por programas inseridos em suas mentes.

A questão da propaganda subliminar foi abordada num episódio da série “Columbo” (EUA, 1968-1978):

Um homem assistia a um filme, no cinema, quando, subitamente, sem controle racional, saiu e assassinou uma determinada pessoa. A estranheza do fato levou o brilhante detetive a se aprofundar no tema e usar do mesmo expediente para identificar o responsável pelo condicionamento do assassino.

Eu estava entre a infância e a adolescência, e o assunto me deixou curioso, ainda mais sendo filho de um projecionista de cinema.

Nos vídeos de então, a ilusão de movimento era gerada a partir de 24 quadros/segundo. O recurso utilizado para propaganda subliminar era inserir uma imagem nesse intervalo, focando no interesse de quem o fazia. O consciente não identificaria, mas o inconsciente, sim.

Soube que um famoso fabricante de refrigerantes havia usado esse expediente, inserindo imagem de conteúdo sexual em sua publicidade. A imagem inconscientemente levaria quem assistisse a ter o desejo de consumir o refrigerante.

Descoberta a prática, ela passou a ser proibida.

Pensando bem, esse tipo de condicionamento já é feito há muito tempo, de forma explícita, por meio de doutrinações religiosas e ideológicas, que fazem com que pessoas só aceitem o que lhes é inculcado, a ponto de terem reações agressivas quando suas crenças são contraditas.

Atualmente, essa condição é chamada de imunização cognitiva. Em qualquer caso, considero isso um crime contra o livre-arbítrio, pois tenta transformar pessoas em parte de um rebanho, conduzido segundo os interesses de quem condiciona.

Esse tipo de manipulação agora é utilizada pela repetição continuada e falta de opção do que é fornecido por alguns governos, mídias e influenciadores.

Muitas pessoas deixaram de pensar de forma autônoma para aceitarem e seguirem o que lhes é imposto.

Para piorar, a Inteligência Artificial permitiu que a imagem e voz de pessoas passassem a ser utilizadas para falsear informações, divulgar mentiras, vender produtos ou terapias.

Pessoas famosas têm suas imagens e vozes emuladas de tal forma que só é possível identificar a fraude pela incompatibilidade delas com o tema abordado.

Políticos, médicos e pesquisadores aparecem em vídeos usando certos padrões, como contar uma estória sobre produtos, terapias ou serviços revolucionários, iniciada com frases do tipo. “Vejam e compartilhem este vídeo, antes que apaguem!”, ou concluídas com: “Vejam o vídeo a seguir”. A isso se somam imagens adulteradas e anacrônicas, usadas para incriminar adversários políticos ou corporativos.

O nível técnico, a falta de ética e a prática dos “fins que justificam os meios” são de tal nível que são necessários recursos altamente sofisticados para detectar as fraudes. Infelizmente, essas adulterações são aceitas como verdades, dependendo dos interesses de poder.

Também é lamentável que toda uma geração esteja sendo alienada ou corrompida por condicionamentos que aliam, de forma criminosa, técnicas antigas com a mais moderna tecnologia, substituindo a inteligência humana pela artificial, desrespeitando a individualidade e a autonomia intelectual dos seres humanos, impondo cartilhas, estereótipos e palavras de ordem; disseminando mentiras e ilusões de um “mundo ideal”; e fomentando discriminação e ódio contra discordantes, como meio de prevalecerem.

Vivemos tempos muito difíceis, e quem se opõe a essas práticas nefastas não está tendo vida fácil.

Adilson Luiz Gonçalves

Escritor, Engenheiro, Pesquisador Universitário e membro da Academia Santista de Letras

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