COPA DO MUNDO E O PESADELO DE TIRIRICA: COM VOCÊS, A GERAÇÃO RAPHINHA-IGOR THIAGO!

Pior que tá não fica… Pouca gente se ligou, mas a praga antológica, de 2010, do ex-palhaço, e hoje só deputadinho insosso e fascistinha-bandalha mesmo, Tiririca se alastrou a vários setores da nossa existência coletiva. E, agora, parece que pegou feio na SeleBet Brasileira.

[CUIDADO, ZEHZEIRA!]

COPA DO MUNDO E O PESADELO DE TIRIRICA: COM VOCÊS, A GERAÇÃO RAPHINHA-IGOR THIAGO!

a close up shot of a tattooed man
Photo by Gonzalo Acuña on Pexels.com

Não havia como piorar uma geração marcada pela empáfia do Menino(!) Ney?! Então tomaí: chegou, novinha em folha – e com agrados também à esquerda! –, a geração Raphinha-Igor Thiago. Com direito a supertécnico italiano – chamado, com aquele orgulho vira-latas bem baboso, de mister! – de contrato renovado por mais quatro anos, com blindagem completa contra críticas do torcedor brasileiro – que só não dá aquele carinho que o Raphinha sente do torcedor estrangeiro, né? Porque tem coisas, na vida – e só quem é mesmo muito mimado o sabe! –, que fazem aquela falta no dia a dia de uma pessoa muito rica. Mesmo quando absolutamente ilusórias.

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Entre convocações-desfalques e centroavantes que não sabem chutar com nenhuma das pernas, só o humor (do Falha de Cobertura) nos salva! Belíssimo o trabalho da dupla Professor Cerginho e Craque Daniel, na contramão do futebol bet-nutella e seu monte de números, mapas de calor (!), fofocada danada com verniz cientificista. Sigam lá: @falha.de.cultura.

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Pior que tá não fica… Pouca gente se ligou, mas a praga antológica do ex-palhaço, e hoje só deputadinho insosso e fascistinha-bandalha mesmo, Tiririca se alastrou a vários setores da nossa existência coletiva. E, agora, parece que pegou feio na SeleBet Brasileira.

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Para não dizer que só falei de Copa (I): soou o berrante trompista de interferência, declarada já na pré-campanha, numa eleição em que o nosso TSE será comandado por dois lacaios do bolsofascismo.

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A crônica é um troço ingrato, e ao mesmo tempo maravilhoso, justo pelo fator tempo, que a marca desde o termo que a institui como gênero literário: escrevo no comecinho da segunda rodada da fase de grupos de umaCopa gigante. E artista trabalha bastante, viu, dá pra acompanhar muito jogo não, com o universo em volta fazendo de tudo para que você vire um gestor, ou um burocrata – ou um reles idiota, mesmo!

Ora, pois: apelidada de Copa das Diásporas (há quem use esta palavrinha no singular, o que me soa como um equívoco crasso), este é um torneio, até aqui, já de ótimos jogos, boas surpresas e uma média técnica maior que a esperada inicialmente, diante do aumento no número de seleções participantes. A gente sabe que o motivo principal para o inchaço foi comercial. Mas, como a vida não é só isso que se vê (e que os magnatas creem, e vendem), diria o futuro orixá Paulinho, o Da Viola, um efeito talvez imprevisto disso é que a Copa de 48 times causou, sobretudo em Áfricas, uma espécie de movimento contradiaspórico, se é que, agora eu, cunho adequadamente um termo: a volta dos que nem lá nasceram, mas que se identificam com um tal povo como seu, por conta da ascendência tida com outra nacionalidade. E isso é bonito como Josimar Vozinha e Cabo Verde aplicando a arte da defesa contra a Espanha!

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Para não dizer que só falei de Copa (II): fenômeno extemporâneo e planetário, o Toca uma coisa mais animada aí assombra músicos e cantores populares desde que o mundo nem era mundo. Por sinal, escavações já confirmaram que, nas rodinhas  neandertais, já existiam figuras como o Produtor Cultural Que Pede Pra Mudar O Repertório Do Grupo Porque Agora Tá Cheio; a Contratante Que Paga Uma Ninharia Mas Quer Se Meter Em Tudo Porque Ela Sabe Afinal Do Que O Povo Gosta; e o Pseudoempresário Que Acaba De Chegar Mas A Galera Já Falou Com Ele Que O Som Não Tá Legal.

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A geração Raphinha-Igor Thiago supera a do Menino(!) Ney. Ambos são dois completos desconhecidos da torcida brasileira – e tampouco conhecem de brasilidade boleira. Em ambos falta pagode e sobra protestantismo. Jogam pela família – a deles, claro, amantes excluídas. São dois brucutus que não geram nem têm identificação com a Canarinho – por ruindade no quesito bola mesmo, em primeiro lugar. Raphinha, que menospreza um cara como o Rivaldo, obviamente têm mais empáfia e menos perebice, claro, que o Igor Thiago. Mas, nenhum deles vestiria sequer a camisa da Seleção Carioca de Futebol no Brasileirão de Seleções de 1960.

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Parafraseando o próprio, Romário nem calado é um poeta. É o seu ex-correligionário Tiririca em metalinguagem perfeita: só piora…

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O baile de Messi – e da Argentina como um todo, contra uma Argélia bem treinada e postada, mas que não conseguia ver a cor da bola –, na estreia em sua sexta Copa do Mundo, não será esquecido. É um brilho épico – e de alguma forma o Messi cumpre esse ciclo contradiaspórico: ao longo da carreira, ele meio que se desvela, não sem tantos trancos,em uma Argentina que o estranhava, inicialmente, por ainda não conhecê-lo, o que era aliás recíproco; por ainda não se reconhecerem, um no outro. Ao firmar do tempo, a simbiose de almas aconteceu com o drama e a beleza de um tango de Gardel. E o choro de Scaloni é o estado da arte de um futebol jogado com alma, em meio ao mar de bets. A vida resiste. Sempre.

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Perdeu, playboy! Diga ou faça Trump o que quiser – inclusive descontar sua fúria racistoide nos aguerridos jogadores e delegação do Irã na Copa. Perdeu – e foi de goleada!

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Igor Thiago cumpre uma função histórica importante: agradar la nuestra galera da esquerda, que vai passar a Copa a exaltar sua condição de ex-pedreiro, pobre e negro, que subiu na vida, assim como enaltece o zagueiro reserva do Flamengo, Danilo, por ostentar o 13 na camisa da SeleBet. A demagogia de um militantismo rasteiro, um sintoma aliás bem geracional, também se faz representada e empoderada na atual geração – que, crava este colonista, caindo na Velha Cilada dos Cronistas, fará a pior campanha da história do Brasil nas Copas!

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O que seria, afinal, uma música animada? Em geral, é o que não só já é conhecido como também vem sendo executado à exaustão, e em andamento acelerado (guardem essa breve descrição!) – esta última característica, por sinal, é uma praga do mundo contemporâneo que atinge até a troca de amenidades entre pessoas que se amam, no zap-zap.

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Voltando ao Tiririca: a SeleBet ainda tem o Menino(!) Ney esbanjando fut… Ops, seu cordãozão de ouro. E no banco de reservas – único setor do campo de futebol em que ele nunca forjou uma falta!

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Já nosso eterno Baixinho, maior gênio da história na pequena área, afiadíssimo nas entrevistas em seu tempo de jogador, ou melhor, de craque mesmo, é hoje um perebinha misógino que tenta tirar onda de malandro gabola se mostrando, ao fim e ao cabo, um baita dum otário. Pra cima da Fernanda Gentil?! Ela te corta no ar, rapá! Como diriam Chico e Carvana: Vai trabalhar, vagabundo!

Se bem que isso pode até ser pior, porque a presença de Romário no Senado não soma em absolutamente nada ao país, como se viu recentemente na tentativa absurda de enfiar um 7×0 de jornada de trabalho na goela do precariado.

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Então vamos de etimologia, numa hora dessas?! Ânimo é de mesma origem léxica de alma anima seria algo como respirar o sopro vital; e seu correlato animus equivaleria à faculdade oriunda dessa capacidade de sentir a vida entrar (e também sair), num sopro: uma disposição de espírito. De estar ali, e aqui. Se algo assim tem a ver, por exemplo, com uma horda de djóvenis comemorando o niver da miga ou migo ou migx (quem souber soletrar isso ganha um beijo de língua do Zehzeira no próximo solstício do Infinito!), num pé-sujo, só olhando e se dirigindo para a frente da roda de samba quando rola um Jorge Aragão ou um Zeca bem batido, eu realmente não sei mais o que é a vida (alô, Porchat!).

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Por falar em música animada… E quer coisa mais sem alma que o futebol da SeleBet?! Por sinal, a baita atuação do quarentão Josimar, de apelido Vozinha – que apelido mais simpático! –, de nossa coirmã de vida e vernáculo Cabo Verde, contra a Espanha, constitui inefável indício de que o goleiro titular de uma Seleção Brasileira que aspirasse a ter uma alma, nesta Copa do Mundo, atende por um único nome possível: Fábio.

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Vai piorar. E a Colômbia o atesta. Lula vai ter que se virar nos trinta para o neofascismo não tomar de novo o Palácio do Planalto. E isso não nos impede de pensar, de cá, que carecemos de um projeto estético-político. Além de outras armas, e almas dispostas, claro. Para lutar, e até vencer, dentro das regras e frestas da boa luta – com amor e versos de improviso. Para continuar jogando nosso futebolzinho por aí, de preferência sem a marra do Raphinha e o chute sem direção do Igor Thiago. Para que não nos sobrem bombas – e tampouco nos faltem os sonhos.

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No mais, em que pese só andar em péssimas companhias (não por culpa dele): vai, Endrick! Vai ser gauche na vida.

Zeh Gustavo
Zeh Gustavo, carioca, filósofo do cotidiano foucaltiano é sambista de rua, compositor, escritor, revisor. Publicou, entre outros, os livros Uma vírgula no findomundo, Contrarresiliente e Eu algum na multidão de motocicletas verdes agonizantes (vencedor do Prêmio Lima Barreto, da Academia Carioca de Letras) e co-organizou, com Rafael Maieiro, a coletânea poética “Jumento com Faixa: deboches e antiodes ao fascismo“, do qual Zeh é também um dos autores. Na cantoria, fez parte, como cantador, de grupos como o Terreiro de Breque, Cordão do Prata Preta, Samba da Saúde e Banda da Conceição e hoje atua solo como intérprete em Cuidado, Zehzeira!, seu primeiro álbum, de que fazem parte a autoral “Mignon com queijo magro” e a regravação de “Beto bom de bola”, de Sérgio Ricardo. Em 2021, fez a produção fonográfica e cantou em duas faixas do álbum musical “Raiz e folha: o cancioneiro de Zeh Gustavo”, gravado pela cantora baiana Kell Santos inteiramente com composições de Zeh.

SEM LOUCURA, É MUITA MALUQUICE! – P@rtes

Chain chain chain… Nosso amor ainda existe! – P@rtes

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