ESPERANÇA NA HUMANIDADE

            Embora seja desde sempre um indivíduo urbano, apesar de viver a maior parte de minha vida numa cidade costeira, gosto de observar a natureza, inclusive a humana.

            Tento fazê-lo sem julgar segundo critérios pessoais, mas todos somos influenciados por valores que nos foram transmitidos e, também, pelos que adquirimos ao longo da vida.

            Esses valores são nossos. Podem ser explicitados, mas nunca impostos aos outros. Da mesma forma, não somos obrigados a aceitar imposições daquilo com o que não concordamos. Quem tenta impor sua visão de mundo à sociedade pode acreditar que lhe está fazendo um bem, no entanto, pode estar comprometendo seu futuro e, até, o da humanidade.

            Essa observação nos permite pensar no futuro, e o ideal é que seja com a esperança de dias melhores, mesmo diante de cenários que tendem a comprometê-lo.

            Por isso gosto de ver casais passeando com seus filhos recém-nascidos. Também me encanto quando vejo o encontro de criancinhas que, mesmo sem se conhecerem, se olham, sorriem e se abraçam.

            Não sabemos que adolescentes e adultos elas serão, o que dependerá de como serão criadas e educadas.

            Criar e educar uma criança é uma enorme responsabilidade para quem um dia também já foi criança, que pode tanto ter leveza na alma, como um pesado fardo nas costas.

            O que transmitir: a leveza da alma ou o fardo nas costas?

            Nem sempre a visão dessa natural inocência e do carinho aparente é certeza de que o meio em que serão criadas as tornará sementes de um futuro melhor para a humanidade.

            O passado nos deu consequências e lições; o presente nos dá responsabilidades e o futuro depende das novas gerações. Mas não para culpar o passado e o presente, rosnando em eventos sob as bênçãos da mídia, com financiamento de pessoas que lucram com a quebra de países, como se fosse uma espécie de indulgência humanitária.

            O futuro não pode ser moldado na desconstrução do passado, ou reescrevendo-o, mas com a compreensão de que algo pode e deve ser melhorado.

            Arautos do caos, hipócritas megalomaníacos e discursos panfletários são parte do problema. Suas propostas também podem comprometer o futuro da humanidade, pois as soluções que propõem podem gerar problemas ainda mais graves.

            O futuro da humanidade é uma construção coletiva, baseada em autoconsciência e noção de consequências. Bilhões de pessoas dependem disso!

            No entanto, quando vejo essas pequenas crianças, nada disso me preocupa.

            Ao contrário, renova minha esperança no futuro da humanidade, contrapondo o materialismo, a alienação, a desumanização cada vez mais presente, e a humanização do que não é humano.

Adilson Luiz Gonçalves

Escritor, Engenheiro e Pesquisador Universitário

Membro da Academia Santista de Letras

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