COISAS QUE NÃO SEI EXPLICAR

Creio que a fase que o Santos FC vive há alguns anos não tem paralelo com a história do clube.

Nem nos primeiros anos após Pelé deixar o clube vi uma situação tão vexatória e inexplicável.

Má gestão? Péssima escolha de elenco? Praga de adversários? Tudo junto?

Sei lá, mas, apesar de tantas “estrelas”, salários astronômicos e comissões técnicas com certo renome no esporte, nada está dando certo.

Não lembro de uma crise tão sinistra como a atual.

Com elencos limitados e egressos das categorias de base, ainda inexperientes, o Santos se aguentava relativamente bem; a Vila Belmiro ainda era um alçapão para os adversários.

Nos áureos tempos do melhor ataque da história do futebol, quando europeus não eram páreo para os brasileiros, o lema era “a melhor defesa é o ataque”, com o Santos formando um 4-2-4 que às vezes virava 4-1-5. Já era respeitado desde sua criação, enfrentando com técnica, disciplina e amor à camisa o “Trio de Ferro” paulistano e os grandes do Rio de Janeiro.

Diziam que, quando o alvinegro praiano entrava em campo, mesmo fora de seus domínios, o placar já marcava 1 x 0 para os santistas.

Santos era um time “incaível” e um dos discursos preferidos dos santistas era “Time grande não cai!”.

Caiu como fruto de uma tragédia de erros! Subiu, é verdade, mas cambaleante.

A sensação é de que o time já entra em campo derrotado, e assistir a um jogo do Santos tem sido um exercício de masoquismo!

O ataque? Só tem sido de nervos para os torcedores!

O que o Santos gasta com seu elenco não explica por que o time vive rondando a zona de rebaixamento.

Falta de motivação? Falta de objetividade? Falta de entrosamento? Contratações milionárias que não justificaram o investimento?

A solução é uma SAF? Construir um novo estádio à altura do clube ajudará a superar essa fase?

Não sei, mas talvez chutar mais de fora da área; entrar na área feito boi louco, tentando o gol ou sofrendo pênalti honesto; ou cavar falta na entrada da área, para ver se ao menos a bola passa pela barreira, sejam o que dá para fazer.

Chega de toques laterais que não evoluem! Chega de firulas em excesso! Chega de pênaltis infantis!

O Santos, por sua história, não merece viver o que está vivendo nos últimos anos.

Ou será que a solução é pedir que todos os arcanjos, anjos, querubins e santos que deram nome à cidade e ao time ajudem a sair desse purgatório?

Pode ser, mas, e se cada santo tiver decidido que só guardará o time que leva seu nome?

Como consolo para o momento, a Briosa tem sido motivo de orgulho.

Mas torcer não passa de um “ópio do povo” e não paga as contas de quem trabalha.

Sim, há coisas mais úteis para a gente fazer na vida, mesmo ganhando num ano o que alguns jogadores ganham em um mês ou dia, e ainda correndo o risco de perder o emprego, caso não contribua para alcançar os resultados almejados.

Adilson Luiz Gonçalves

Escritor, Engenheiro, Pesquisador Universitário e membro da Academia Santista de Letras

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