VIVA A BRIOSA!

Eu não gostava de Portugal por uma razão futebolística: a derrota do Brasil na Copa de 1966, em que os zagueiros portugueses caçaram covardemente Pelé.

Eu tinha seis anos e fiquei na bronca por décadas, catalisada principalmente numa foto que um vizinho tinha do time do Benfica.

Eu já torcia para o Santos FC desde que me conhecia por gente, mas sabia que a cidade contava com mais dois times fundadores da FPF: a Portuguesa e o Jabaquara.

Do Jabaquara, eu conhecia expressões como “botar o Jabaquara em campo” e “jabaquarada”, não muito louváveis. Quanto à Associação Atlética Portuguesa, eu a considerava da mesma forma que a seleção portuguesa e o Benfica.

Naquela época, a chamavam de “Burrinha”, e já tinha revelado jogadores de destaque, com destaque para Samarone, que brilhou no Fluminense.

Soube da “Fita Azul”, em 1959, honraria obtida após uma excursão invicta pela África, em 1959: 15 vitórias nas 15 partidas disputadas, marcando incríveis 75 gols!

Curiosa foi a estória de que teriam oferecido um jogador moçambicano à Portuguesa Santista, pelo qual ela não teve interesse: um tal de Eusébio…

O tempo passou e fui estudar na França e, antes de voltar, fui conhecer onde meu pai e avôs haviam vivido, em Portugal. A forma como meus parentes distantes me receberam “quebrou o gelo” de minha bronca.

Tempos depois, pensando em ampliar as oportunidades profissionais de meu filho, obtive a cidadania portuguesa. Desde então, minha percepção sobre a “Terra de Camões” mudou completamente.

O mesmo valeu quanto à Portuguesa Santista, que passei a tratar pelo seu apelido mais nobre: “Briosa”!

Depois de um tempo de ostracismo, ela chegou a contar com Serginho “Chulapa” no elenco. Mas a virada mesmo veio bem depois, sob o comando de outro Sérgio, o Guedes: campeã da Copa Paulista, com todos os méritos!

Porém, na Copa do Brasil de 2024, ela caiu já na primeira fase. Posteriormente, foi rebaixada para a Divisão A3 do Campeonato Paulista.

Em 2026, já no início do campeonato, o time demonstrou boa qualidade, entrosamento e brio, fazendo jus ao apelido.

Toques rápidos, sem firulas, jogadores bem posicionados e aplicados, um técnico atento, lendo cada momento do jogo de forma perfeita, e uma torcida entusiástica a apoiar.

Sérgio Guedes: que técnico!

Seus jogadores disseram que ele foi um “paizão”, nunca gritando, sempre aconselhando, exortando-os a darem o melhor de si, em nome de seus futuros.

Resultado: campeã da Série A3, com a melhor campanha e uma vitória indiscutível, categórica, na final!

Parabéns à Diretoria do clube, que deu condições para que o time desse o seu melhor.

Que enorme prazer foi torcer por ela, tendo orgulho de sair de casa vestindo a camisa do clube!

Viva a Portuguesa Santista! Nos vemos na Série A2.

Mas minha bronca com o Benfica continua. prefiro torcer para Porto e Sporting.

Adilson Luiz Gonçalves

Escritor, Engenheiro, Pesquisador Universitário e membro da Academia Santista de Letras

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