NO REINO DO PIXULECO, DO LINDÃO DO CHUPETINHA, DO CARECA DO INSS, DO FLÁVIO WONKA DO PAPAI… OU ATRÁS DO TRIO ELÉTRICO DO XILINDRÓ SÓ NÃO VAI O OLAVO QUE MORREU!
Por Zeh Gustavo
[CUIDADO, ZEHZEIRA!]
NO REINO DO PIXULECO, DO LINDÃO DO CHUPETINHA, DO CARECA DO INSS, DO FLÁVIO WONKA DO PAPAI… OU ATRÁS DO TRIO ELÉTRICO DO XILINDRÓ SÓ NÃO VAI O OLAVO QUE MORREU!
Eu sei, gente, peço perdão: os personagens são terrivelmente ululantes, obviamente golpistas, ululantemente canalhas… Mas, também, como posso dizer?!… Eles são personagens ricos, o que é paradoxalmente terrível, de tão pobre que se tornou nossa crônica política. Lembra do PC Farias, do Collor, da Rosane, do irmão do Collor, daquela brigalhada toda da Casa da Dinda?! Isso aí virou tipo A Lagoa Azul perto das tramoias pornográficas da turma gospel-empoderada que sequestrou nosso debate público desde a emergência do bolsofascismo.

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À primeira vista, Mendonça parece muito um personagem de Nelsão Rodrigues, até no nome. Mas o roteiro rodrigueano se rasga por uma falha técnica que só quem é do ramo vai atentar: ele tem aquela cara de sujeito limitado de classe média que ganha um carguinho e a ele se apega com dedicação, mau hálito, terno desbotado – aquela cara de sovinas fedorento, de homenzinho tacanho que morre de medo de que desvendem a farsa que é.Não tem, pois, jeito, hábito, pose da gente-bem, do falastrão imponente, escroque decidido, doutor que humilha, justamente, aquele lá do carguinho arranjado. Mendonça é uma falha na matrix do universo rodrigueano.
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Alô, Bolha querida: no Reino das Plataformas, a autopropaganda é a alma (cansada!) do negócio (falido!). Pois entonces: bora chegar lá no YouTube deste Zehzeira e conferir a belíssima filmagem do diretor Ricardo Mansur, com fotografia de Maurício Hora, para a nossa música Desgraça alheia? Juro que ela não fala do STF!
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Enquanto permanece ocupado com o próprio rabo sujinho, o STF não se liga na parcialidade e negligência evidentes no comando do TSE. E os olhos colados em Mendonça e Xandão deixam o KNM, ministro que mais parece sigla de lubrificante, soltinho para fazer vista grossa até mesmo aos ataques à própria instituição, como no caso flagrante de um candidato que brada, em plena propaganda pública de rádio e televisão no RJ, depois de defender a libertação – por ironia em cadeia nacional! – do Jumento-Chefe da quadrilha: “Supremo, só Deus!”.
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Nunca escrevi uma crônica com tanta pressa, então perdão pela falta de amenidades. Se eu não entregar essa joça logo pro Giba, vou ter que jogar estas linhas todas fora e começar de novo, de algo perto do zero. A aceleração do tempo é um tempo besta: são muitos párias e figuras patéticas a que se mencionar. E não é só na política, vejam por favor, na música, a começar pelos nomes, até pela forma escolhida de grafia dos nomes dos grupos. A pasteurização, a cafonice, o mau gosto imperam. Parecer bem idiota, representar, farmar aura (gente, que porra é essa, na moral!) é o que há de mais popular. Como disse um membro próximo ao clero da familícia: para alcançar os idiotas, você tem que se fazer de um. E tome concorrência – então eles correm pra fazer mais e mais merda! Logo, perdão, Giba e meus 3 leitores: juro que tentei acompanhar…
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Falei do Careca do INSS e não falei do Careca do STF. Pois então: por mim, deixava sim o ômi quieto, com Lulão passando aquele sabão oficial em público, e só. Nas entrelinhas, o jogo é mais embaixo e quem não sabe chutar direito um saco – leia-se, toda a esquerda brasileira, em especial quem lavajateia ao igualar Xandão a Mendonça! – não deveria ousar sequer melindrar o nosso Careca.
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Enquanto isso, no Ceará, temos Ciro Gomes. Nada pode ser menor que sentimentos como inveja e rancor quando elevados a um extremo que engole o indivíduo, sobretudo quando acometem uma figura pública. Vexame sem fim, esse cidadão!

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Madame Carmem Lúcia não preparou um voto – preparou seu discurso para a próxima Flip. “Ah, mas ela não levou nenhum!” – não será a negligência justo e apenas por isso? A sensação que passa para quem mantém um olho no peixe, outro no gato é que faltou um mero telefonema do Lindão do Chupetinha, lá atrás, para ela virar aquele fechamento maneiro do team Mendonça Pixuleco. A neutralidade é a mais sonsa das gatunagens, vide Rede Goebbles de Televisão.
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Não, eu não vazei esta crônica pro Gilmar Mendes (nunca critiquei!), que catou um Pixuleco para nomear, certeiro, o preposto da familícia no todo enlameado Supremo. Portanto, afirmo, Gilmar não teve acesso anterior às provas verbais, ad referendum, de que só ser chamado de Mendonça, no intuito de se transformar num interessante personagem rodrigueano, não bastaria para o talzinho aí, terrivelmente escroto ab incunabulis, ascender a esse, aliás, a qualquer nível de importância de facto, nessa história. Tudo fumaça. Mendonça é o Severino Cavalcanti do STF. Vai cair logo, vai cair cedo; e já é muito, e já vai tarde.
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Diz a sinopse: “No enclave entre os bairros do Centro e da Saúde, no Rio de Janeiro, e à margem do processo de requalificação urbana que por ali chega bem devagar, o samba anda torto, que nem pau d’água. Um sambista vaga pelas ruas estreitas desse lugar conservado pelo abandono, dá um tempinho no centenário Botequim do Joia, cruza com Zé Pilintra. Videoclipe com jeitinho de curta cinema-novesco, em Desgraça alheia (pau d’água) a câmera passeia na cobertura de um dia comum na vida de um flâneur atabalhoado. E assim o samba de Zeh Gustavo – que abre o álbum Cuidado, Zehzeira!, lançado em 2025 como uma homenagem ao samba de breque – ganha vida no seu ambiente mais poeticamente realista.” Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=kCFiSvCAFlA.
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Agora, bem sério: neomoralismo de esquerda ou pseudomoralismo de imprensa golpista à parte, parte da mais pura vingança o cerco a Xandão. E quem não reparar que, assim, pode-se estar a limar do cabaré pegando fogo um puta aliado na tentativa de salvaguarda de algum mínimo aparato de democracia é porque não entende absolutamente nada de política. E isso em plena véspera de uma eleição em que a bruta flor neofascista à brasileira parece ganhar ainda mais cor e viço a cada escândalo que lhe seja atribuído. Com o perdão dos termos desiguais da comparação: vão mesmo largar Xandão pelo caminho como já largaram, por exemplo, Genoíno e Dirceu?
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O escritor Augusto Cury é tão escritor quanto o Olavo de Carvalho era filósofo, com a diferença escatológica de que, enquanto Olavão era um salafra um pouco mais erudito e, com isso, queria chupar o fiofó do Caetano Veloso (esse desejo dele é documentado historicamente, viu, meu povo!), a parada do Cury é o Flávio Wonka do Papai mesmo. Cada alma sebosa cultiva o desejo que merece.
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No rabo do Cirão da Massa, com todo o respeito, é claro: nada contra a manifestação daqueles sentimentos. Mas, um pouco de estilo e semancol (que saudade dessa palavra no nosso dia a dia!) não faz mal a ninguém. Um dos livros mais tocantes de nossa literatura marginal (voltarei, certa feita, ao conceito, hoje trocado, no imaginário das letras, ou pela autoficção, ou pela literatura periférica) é um clássico de título Abraçado ao meu rancor, do paulistano-carioca João Antônio. Uma vez alguém acusou o dramaturgo paulistano Mário Bortoloto de ser invejoso por criticar alguma coisa lá do mainstream – por sinal, algo comum na vida de nosotros da arte, receber tal acusação. Qualquer coisa que dizemos sobre o andar de cima das artes populares, e o povo tasca: “Tem que ser mais eclético, tem espaço pra todo mundo…”. Isso para não dizer na cara da gente que estamos com inveja porque um fdp qualquer tem recurso pra fazer um monte de bosta e a gente não. Aporrinhado, Bortolotto tascou algo como: “Inveja de fulano?! Inveja eu tenho é do Dostoievsky!”. Taí: deu? Então toma!
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Crônica política é a vovozinha! O que temos hoje é uma crônica policítica!
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Aguardemos os próximos capítulos da saga, com Lula 13 na cabeça e votos em (dois) senadores e deputados federal e estadual que comecem com 13 ou 50 ou sejam aliados confiáveis. E, no STF, é #ficaxandao e #dino2030. Inté outubro!









