A linguistica e o amor. Singela homenagem
A linguística e o amor
singela homenagem
Por Ana Marina Godoy Zanotti***

Hoje minha mãe faria 79 anos…mas partiu em junho. E senti que foi cedo. Viver o luto é preciso, porém doído, ainda mais com quem se tinha relação literalmente visceral de início.
Desnecessário (?) falar que deixou saudades, filhos com princípios e lutadores, netos promissores e boas pessoas, além de três gatos… a mais velha, a maravilhosa Kátia, uma linda gata preta de quase 17 anos, faleceu há uma semana…estraçalhando meu coração mais uma vez em tão curto espaço de tempo.
O amor vivenciado com uma sempre foi diferente da relação com a outra. Até porque uma era pessoa humana e outra uma pessoa felina. Mas a linguística do amor é ampla, capaz de abarcar até o que parece incomparável. Ambas não amavam falando. Não. Mas por gestos. E só era amado quem percebia que ali existia amor em código, algo inusual, fora do comum, como ambas eram. Duas ladies. E eu, que gosto de objetividade ao cubo, às vezes me estressava com minha mãe. Com a Kátia…o olhar resolvia. Grande companheira. A parceria dela durante a pandemia foi fundamental. Aquele aconchego ao dormir não tinha preço.
Minha mãe era linguista. Deixou um verdadeiro legado, muita produção*, principalmente na área da pragmática. Foi professora da UFPR. Uma russa que amava o Brasil, cervejinha e futebol. Torcia para o Zenit da sua cidade natal, São Petersburgo, e aqui no Brasil era athleticana paranaense.
Vinte dias antes da dona Elena falecer escrevi uma crônica sobre nossas viagens para a terra dela. No entanto, ela não leu… será publicada em livro a ser lançado em novembro**. Era para ser surpresa. Não deu tempo. Ela sempre me incentivou a escrever e, desde meus três anos de idade, textos são minha paixão. O amor pela linguagem foi passado a outra geração, mas por um viés diferente. E a Kátia…ah! a Kátia: tema de conto e sempre por perto enquanto eu me expressava por uma linguagem de pessoa humana no computador ou no papel…Hoje é dia da árvore: minha mãe amava plantas. E a gata usufruía de um verdadeiro jardim dentro do apartamento. Continuo cuidando da casa, dos livros, dos outros dois gatinhos, de cada peça trazida das tantas viagens pelo mundo… E da neta, Maria Elena, que no centro do seu nome completo tem nome e sobrenome desta avó. E os olhos verdes!
Nesta semana a primavera voltará…e mais promessa de vida. O inverno na alma ainda tomará um tempo.
*Endereço para acessar este CV: http://lattes.cnpq.br/7808426677140604
ID Lattes: 7808426677140604

** Viagens crônicas: editora Metamorfose, Porto Alegre, 2026; organizado por Marcelo Spalding e Carolina Magalhães. Interessados entrar em contato: 41 996449250.
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Ana Marina Godoy Zanotti é filha da professora Elena Godoy; jornalista diplomada, advogada, turismóloga e empregada pública. Possui sete pós-graduações, é mestranda, escritora e revisora profissional.








