Uma Breve Bibliografia Básica Para Entender os Ciclos dos Professores

Fernanda Gabriela Soares dos Santos*[1]
Décio Luciano Squarcieri de Oliveira*

publicado em 01/11/2008

 

Não quero o que a cabeça pensa:
Quero o que a alma deseja…”
Coração Selvagem – Belchior

Fernanda Gabriela Soares dos Santos é professora de Filosofia da Rede Municipal de Formigueiro, RS e mestranda em Educação pelo PPGE/UFSM- fernandagssantos@yahoo.com.br

Nossas lutas enquanto professores têm transitado pelos diferentes âmbitos, não é fácil atuarmos em uma profissão em que todos se sentem no direito de intervir. Uma reclamação de uma mãe descontente em uma escola privada pode ser motivo de demissão, não raro ouvimos pessoas leigas dizendo que não temos didática.

E quem cuida da saúde deste professor? Quem sabe o que é trabalhar quarenta horas por semana e reservar o resto do tempo para preparar aulas e corrigirmos trabalhos? Qual outra profissão de nível superior é tão mal paga? E nossa vida, nossa história, onde se inscrevem em meio a toda essa turbulência?

Faz-se, portanto, imprescindível que tenhamos noção da elucidação de alguns conceitos que utilizamos em nossos discursos, pois não raro permeiam nossos trabalhos e artigos, quando não são ainda centrais em nossas dissertações e teses. Nessa perspectiva, o texto “Enciclopédia de Pedagogia Universitária” é importante para o questionamento de alguns termos que muitas vezes nem nos damos conta que estamos utilizando de forma até equivocada. Refletir sobre o conceito é sempre um movimento de aprendizagem.

Décio Luciano Squarcieri de Oliveira é Professor de História, Especialista em História do Brasil, Professor Substituto do Departamento de Metodologia do Ensino – MEN –CE-UFSM- decioluciano@yahoo.com.br

Naturalmente que jamais vamos decorá-los, todavia, utilizamos de maneira correta quando o adotamos, pois a partir de uma enciclopédia sabemos seu significado adequado dentro de determinado contexto. Também o texto “Formação de Professores: para uma mudança educativa” assemelha-se por também nos trazer alguns conceitos.

Explica-nos de maneira muito didática a estrutura conceitual concernente à formação docente, o próprio conceito de formação, as orientações conceituais, as teorias sobre transformação dos professores, etc. Faz um apanhado sobre a aprendizagem dos professores enquanto adultos que somos levando em conta aspectos cognitivos, preocupações e teorias sobre os ciclos vitais dos professores.

Vem ao encontro do texto “Trajetórias Formativas de professores que atuam nas licenciaturas” sobretudo porque não esquecem do lado humano do professor. O professor já não é mais colocado como um profissional que precisa deixar sua vida pessoal alheia a sua professoralidade. De forma alguma, o professor tanto nos textos como nas discussões da disciplina tem sido tratado como o ser humano que é.

Carregado de sonhos, angústias, medos, amores. Como alguém que possui expectativas e anseios em relação à profissão e à vida. O professor como alguém que não quer se desligar da pessoa que é, pois mesmo que quisesse seria impossível.   Ensinamos tal como somos.

Uma pessoa autoritária e fechada não se torna automaticamente um ser aberto e democrático quando está em sala de aula. Somos exatamente como ensinamos. E, naturalmente, no dia em que não estamos tão bem, ou que estamos com problemas nossa aula não é tão soberba como no dia em que estamos muito felizes com uma conquista.

Para tanto, independente do nível de ensino que este docente atue jamais deve ser esquecido o importante espaço das formações continuadas, pois além de proporcionarem ao professor um espaço singular de discussão, também ocasionam um conhecimento pedagógico compartilhado. Ao dividir suas angústias, preocupações e alegrias o professor sente que não está só na caminhada docente.

Este texto também vem ao encontro do texto “O ciclo profissional dos professores”, que também mostrará as distintas fases pelas quais nós docentes percorremos ao longo de nossa trajetória. Desde nosso ingresso na carreira, que muitas vezes pode coincidir com questões como a saída de casa, o casamento, pois já é uma fase que se dá durante a nossa vida adulta.

            É justo nesta fase que delinearemos o perfil de professor que vamos ser, isto é, se vamos levar a carreira como algo apaixonante se nos entusiasmarmos com ela, ou se vai ser mero meio de sobrevivência. Podemos colocar-nos sempre em questão e constantemente repensarmos nossa prática ou nos acostumarmos a simplesmente cumprirmos as horas prescritas e nosso trabalho terminar exatamente no horário em que termina o expediente. É uma escolha pessoal o professor que nos comprometeremos a ser.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Enciclopédia de Pedagogia Universitária, Inep, Brasília: 2006.

GARCÍA, Carlos Marcelo. Formação de professores: para uma mudança educativa, Lisboa: Porto Editora, 1999.

HUBERMAN, Michael. O ciclo profissional dos professores, Lisboa: Porto Editora, 1995.

ISAIA, Silvia Maria de Aguiar; BOLZAN, Dóris Pires Vargas. Trajetórias Formativas de Professores que atuam nas licenciaturas, Revista do Centro de Educação / UFSM, Santa Maria: 2004

* Professora de Filosofia da Rede Municipal de Formigueiro, RS e mestranda em Educação pelo PPGE/UFSM- fernandagssantos@yahoo.com.br

** Professor de História, Especialista em História do Brasil, Professor Substituto do Departamento de Metodologia do Ensino – MEN –CE-UFSM- decioluciano@yahoo.com.br

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