O exercício da gestão democrática na organização do trabalho pedagógico

O exercício da gestão democrática na organização do trabalho pedagógico

 

Claudovil Barroso de Almeida Júnior[*]

Resumo

Claudovil Barroso de Almeida Júnior – Especialista em Educação Especial e Inclusiva pelo IESAP. Professor da Educação Especial do CERNDR/AP. Professor Colaborador em Instituições de Ensino Superior em cursos de pós-graduação nível Lato Sensu. Contato: claudovilbarroso@bol.com.br

A presente pesquisa irá fazer uma abordagem sobre a educação por meio da gestão democrática. Os objetivos do estudo pretenderam analisar e refletir a administração da organização do trabalho pedagógico dentro da instituição educacional. Metodologicamente, houve a contemplação da pesquisa bibliográfica. A discussão revelou que a administração escolar deverá possibilitar e conquistar o apoio e o respeito dos agentes educativos, fomentando a autonomia educacional e intelectual da escola.

Palavras-chave: Gestão Democrática, Organização do Trabalho Pedagógico, Autonomia Educacional e Intelectual.

Exercise of the democratic management in educational organization of work 

Abstract

This research will make an approach to education through democratic management. The objectives of the study sought to analyze and reflect management of the organization of educational work within the educational institution. Methodologically, there was contemplation of literature. The discussion revealed that the school administration and should enable to win the support and respect of educational agents, fostering educational and intellectual autonomy of the school.

Keywords: Democratic Management. Organization of pedagogical work. Educational and Intellectual Autonomy.

INTRODUÇÃO

A produção deste artigo desenvolveu-se a partir de uma pesquisa bibliográfica. Será evidenciada a gestão democrática com a participação da comunidade escolar no ambiente educacional. Posteriormente, ressaltar-se-á a importância do reconhecimento dos agentes educativos, com evidência na equipe diretiva e docente. Por conseguinte, se observará a escola como um lócus privilegiado por permitir uma aprendizagem coletiva imbricadas nas trocas das relações sociais que circundam o ambiente educacional. Para concluir essa discussão, considera-se que o contexto de relações no trabalho pedagógico o homem torna-se agente na construção de seus conhecimentos particulares, como também mediatizados pelo mundo.

A CONSTRUÇÃO DE UMA GESTÃO COLEGIADA NO AMBIENTE ESCOLAR

O movimento de democratização no ensino é um processo amplo e muito complexo, que tem como prioridade a qualidade da educação e, inserido nesse processo situa-se o ambiente escolar. A escola de acordo com Wittmann (2006) tem como base fundamental a construção integral do ser humano, face as constantes interações sociais que permeiam o contexto escolar.

A instituição educacional é um lugar de transformação da realidade sociocultural das pessoas, e a gestão jamais deverá ser concentrada em uma única pessoa no momento das tomadas de decisões, pelo fato de se querer democratizar o ensino. As práticas de gestão escolar precisam andar aliadas com as efetivações da dimensão técnica, política e humana com princípios norteadores da educação, visto que segundo Wittmann (2006), tais são construídas historicamente, e se desenvolvem por meio da evolução da prática e dos novos desafios educacionais.

A gestão deve ser norteada por princípios democráticos, com a participação e colaboração constante da comunidade escolar nas suas decisões que envolvem a organização, orientação e planejamento do trabalho administrativo e pedagógico. Nesse momento, a escola passa a adquirir uma postura abrangente e crítica, e supera paulatinamente uma visão unilateral para interagir satisfatoriamente na sociedade, de maneira dialética e humanizadora.

O novo paradigma de gestão, com evidência na democratização do ensino, redimensionou a forma de condução da administração educativa, com a participação de todos ao evidenciar a pluralidade de concepções concretas na escola. Dessa forma, a formação de gestores educacionais pressupõe articular a teoria com a prática, ao responder questões educacionais advindas do senso comum e até mesmo da cultura escolar, permitindo a fomentação de análises e reflexões através da participação da comunidade escolar.

Nesse sentido, a questão da gestão educacional não é somente conquistar a mudança da instituição, mas, sobretudo, dos sujeitos que participam da democratização da mesma, em decorrência do estabelecimento de um sistema de relacionamento (LÜCK, 2006), onde todos terão a possibilidade de desenvolver e contribuir a partir de seu potencial, com evidências na transformação do momento histórico, por meio das relações existentes na escola.

O RECONHECIMENTO DOS PROFISSIONAIS DA EDUCAÇÃO

O processo educacional, ao decorrer de sua trajetória histórica perpassou por períodos muitos significativos no que tange em propagar ideias, valores e princípios que incidem diretamente no ambiente escolar e, consequentemente na equipe diretiva. Porém, o que se observa é que nem toda essa equipe estar preparada para os desafios da educação. Logo, é necessário modificar sua postura, antes técnica e mecanicista para uma postura crítica e reflexiva, em decorrência de vir paulatinamente adquirir uma concepção renovada, ao atuar com responsabilidade e autonomia, congregada em uma sociedade justa e democrática.

Em meio a essa conjuntura encontrar-se o professor que, precisa estar contextualizado com sua realidade político-social (CASTRO; FACION, 2009), visto que sua atuação não se restringe somente em ministrar aulas, através da transmissão de conhecimentos, mas também constitui um exercício constante de liberdade. É permitir-se pensar e atuar frente a uma dada realidade, com plenas capacidades de transformação.

Nesse sentido, de acordo com Vitaliano (2010), tem que se levar em consideração que o professor na perspectiva de mobilizar esforços, precisa de estudos específicos para que sua atuação seja de qualidade e excelência, isto é, promova um processo de ensino e aprendizagem formador e ao mesmo tempo transformador do momento histórico. Mas, para que isso ocorra é necessário que este profissional da educação tenha condições de trabalho favoráveis que lhe dê a garantia e a possibilidade de assumir a responsabilidade de educar.

Todavia, é válido considerar que a responsabilidade de educar então, não está centrada somente no professor, mas no contexto geral da educação, visto que se presenciam múltiplos agentes educativos no ambiente escolar com atitudes modificadas, com ideias em comum. Tais dizem respeito em adequá-las em seu tempo presente. Hoje essa atitude define-se como interdisciplinar e, sem ela as ações pedagógicas tornam-se sem fundamentação, no tocante a uma educação para todos.

Para tanto, o reconhecimento dos profissionais da educação perpassa em abrir espaços no ambiente escolar de fomentações de ideias frutíferas, com diálogos autônomos e, práticas reflexivas, possibilitando manifestar interações e as mediações num processo dinâmico e intencional, sobre o seu agir, pensar e atuar pedagogicamente.

 

DA APRENDIZAGEM INDIVIDUAL PARA A COLETIVA

O debate acerca da democratização do ensino se encontra sistematicamente nos movimentos de transformação dos profissionais da educação, concentrados nos interiores dos ambientes escolares. Isso porque professores e pesquisadores da educação são convictos de que essas discussões coletivamente e organizadamente geram práticas educativas com consequências significativas no processo educativo.

Tais discussões tratam-se da construção de ações educativas direcionadas para valorizar e/ou exaltar às diferenças. Dessa maneira, a aprendizagem torna-se mais comprometida com a realidade do educando, possibilitando-o uma abordagem consistente, direcionada a construção de um indivíduo pensante, com a plena capacidade de ser e agir criticamente sobre o meio que está inserido.

O processo de ensino e aprendizagem tanto no ambiente escolar como na sala de aula poderá construir novos conhecimentos, com a transmissão e apropriação de valores culturais. E nessa perspectiva, o saber e os conhecimentos acumulados socialmente pelos indivíduos são valorizados. Isto é, atribuir à educação um contexto inclusivo, com princípios democráticos e com igualdade social (ARAÚJO, 2010).

Portanto, caberá a todos os agentes educativos refletirem sobre suas ações pedagógicas realizadas dentro ambiente escolar, visto que são bases fundamentais para as transformações das relações pessoais como pedagógicas e assim, ampliará o conhecimento de si mesmos e sobre o mundo, numa abordagem interativa da construção do processo educacional autônomo, libertário e inclusivo.

 

CONCLUSÃO

O objeto de estudo cuja temática abordou a gestão democrática na organização do trabalho pedagógico, procurou incluir e articular processos históricos, como também bases relacionais da administração educacional, equipe diretiva e equipe docente e, aprendizagens coletivas, aliados a pressupostos teóricos que contribuíram significativamente para a fundamentação e aprofundamento científico sobre o referido assunto.

Nesse sentido, a busca incessante de um processo de ensino-aprendizagem que inclua todos os agentes educativos sobre a concepção que, através das diferenças constituir-se-á uma sociedade justa e igualitária, possibilitou o reelaborar, o ressignificar e o aprofundar satisfatoriamente alguns conceitos, princípios e, até mesmo atitudes, visto que foi de fundamental relevância discutir sobre a educação democrática na escola através da gestão, pois esta será incorporada efetivamente quando a comunidade escolar se esforçar espontaneamente e autonomamente para vislumbrar uma educação de qualidade para todos.

Em suma, se observou que por meio do exercício da gestão democrática na organização do trabalho pedagógico, o processo de ensino-aprendizagem tende a concentrar a postura crítico-reflexiva, em vista da contemporaneidade dos fatos históricos que se fundamentam e, consequentemente se complementam, ao compreender que o homem é um constante construtor de seus conhecimentos, atitudes e valores em comunhão com a sociedade.

REFERÊNCIAS

ARAÚJO, Márcia Baiersdorf. Ensaios sobre a aula: narrativas e reflexões da docência. Curitiba: Ibpex, 2010.

FACION, José Raimundo. (Org.). Inclusão e suas implicações. In: CASTRO, Ruth C. M. de; ______. A formação de professores. 2. ed. rev. e atual. Curitiba: Ibpex, 2009. p. 165-184.

LÜCK, Heloísa. Gestão educacional: uma questão paradigmática. Petrópolis, RJ: Vozes, 2006.

VITALIANO, Célia Regina. Formação de professores para a inclusão de alunos com necessidades educacionais especiais. Londrina, PR: Eduel, 2010.

WITTMANN, Lauro Carlos. Práticas em gestão escolar. Curitiba: Ibpex, 2006.

[*]Licenciado Pleno em Pedagogia, com habilitação em Magistério dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental e Administração Educacional pelo Instituto de Ensino Superior do Amapá – IESAP. Especialista em Pedagogia Escolar com ênfase em Organização do Trabalho Pedagógico (Coordenação Pedagógica e Gestão Educacional) pelo Centro Universitário Internacional – UNINTER. Especialista em Psicopedagogia Clínica e Institucional pela Faculdade Internacional de Curitiba – FACINTER. Professor da Educação Especial do Centro Educacional Raimundo Nonato Dias Rodrigues – CERNDR em Macapá-Ap. Apresenta experiência na área educacional, com ênfase na educação especial e ensino superior (pós-graduação_lato sensu). Pesquisador da Educação Especial. Contatos: Claudovilbarroso@bol.com.br

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