Rádio Escolar: Inclusão Social e Protagonismo Juvenil

Rádio Escolar: Inclusão Social e Protagonismo Juvenil

 

RESUMO

Este trabalho apresenta uma abordagem histórica, social e educacional do uso da mídia Radiofônica nos espaços de aprendizagem, este instrumento como meio de comunicação de massa marcou a sociedade brasileira em diversos aspectos, avançando para a dimensão educacional através de experiências como comunicação educativa. Assim, podemos considerar o uso das tecnologias de informação e da comunicação no ambiente escolar como ferramenta colaborativa, promovendo a inclusão social e o protagonismo juvenil. A temática abordada tem grande relevância para os novos formatos e possibilidades de construção dos conhecimentos na esfera escolar e como fundamentação teórica reúne estudiosos e pesquisadores na área da educomunicação para nortear as bases deste enunciado e como fonte para novas pesquisas voltadas para o estudo proposto. Tem como objetivo reconhecer a importância do uso dos recursos radiofônicos que fazem parte da escola- campo, comprovando que sua proposta pedagógica visa incentivar o público escolar para o desenvolvimento de suas habilidades através das mídias radiofônicas enquanto instrumento que possibilita a diversificação do processo de aprendizagem.

Palavras-chave: Aprendizagem, Protagonismo Juvenil, Radiocomunicação, Inclusão Social.

ABSTRACT This paper presents a historical approach, social media and educational use of Radiophonic in learning spaces, this instrument as a mass communication medium marked the Brazilian society in many ways, advancing to the educational dimension through experiences as educational communication. So we can consider the use of information and communication technologies in the school environment as a collaborative tool, promoting social inclusion and youth participation. The theme addressed has great relevance for the new formats and knowledge building possibilities in the school sphere and how theoretical foundation brings together scholars and researchers in the field of educational communication to guide the basis of this statement and as a source for further research focused on the proposed study. It aims to recognize the importance of the use of radio resources that are part of schooling field, proving that their pedagogical proposal aims to encourage the public school to develop their skills through the radio media as a tool that enables the diversification of the learning process. Keywords: Learning. Youth participation. Radio. Social Inclusion.

INTRODUÇÃO

O presente artigo traz em sua organização e produção, a importância das mídias no ambiente escolar e o seu uso no processo de aprendizagem. Inicialmente passando pelos corredores da história da radiofonia na sociedade brasileira. Segundo as pesquisas, encontra-se a presença do Rádio em importantes fatos marcantes, onde a repercussão de muitos fatos em nível nacional se deu por está diretamente ligado a esse meio de comunicação de massa, que se tornou uma ferramenta pedagógica como programa de acesso à escolarização. A implementação de projetos educativos na área de radiodifusão, ocorreram durante as discussões sobre o processo organizacional da educação brasileira entre as décadas de 70 e 90, voltando-se para o uso das tecnologias de informação e da comunicação no ambiente escolar, do qual seriam propostas inovadoras implantadas para um novo modelo pedagógico, como ferramenta de trabalho e suas contribuições para a prática educacional.

Com o advento das tecnologias, surgiram as experiências e adaptações das mídias educacionais entre elas, inicialmente a TVEscola do qual iniciou a abertura para o uso pedagógico da televisão. E ainda como proposta pedagógica na área da tecnologia educativa implantou-se os laboratórios de informática e chegando ao uso da Rádio Escolar em seu formato informacional e educativo, com a mesma finalidade de colaboração no processo de ensino e aprendizagem.

Nesta breve contextualização, ressalta-se a relevância deste estudo no ambiente educacional tendo como foco as experiências realizadas na Rádio Escolar enquanto instrumento que viabiliza possibilidades na aprendizagem, na valorização do público juvenil e promove a inclusão social, elementos importantes e indispensáveis no processo de ensino-aprendizagem, do qual contribui de maneira favorável no fazer pedagógico, estimula a autonomia e a produção coletiva no cenário escolar.

Diante da abordagem bibliográfica do tema a ser discutido, apresenta-se aos interessados nesta linha de pesquisa o universo comunicacional e educativo denominado Rádio Escolar, o seu papel, a sua importância no processo de aprendizagem.

PASSANDO PELOS CORREDORES DA HISTÓRIA DO RÁDIO.

A construção e o descobrimento da mídia radiofônica marcaram uma trajetória formada por pesquisadores das diversas áreas de conhecimentos que contribuíram para encontrar uma invenção capaz de transmitir informações através das ondas sonoras e cabos eletromagnéticos de maneira simultânea. E entre as grandes invenções que contribuíram com a evolução da comunicação, a presença e o uso rádio foi marcante, rompendo as fronteiras e os limites espaciais, proporcionando a disseminação das informações para a sociedade. Nesse percurso, em busca da evolução dos meios de comunicação, pesquisadores e inventores, deixaram um legado formidável que envolve o conhecimento científico, a curiosidade humana, a perseverança e as experiências para a realização de grandes feitos voltada para o desenvolvimento da comunicação. E estes avanços possibilitaram a evolução da comunicação em diversas áreas, lembrando sempre que “O rádio está intrinsecamente integrado ao cotidiano das pessoas, sem limitação de espaço ou de tempo […] Ele faz parte, muitas vezes de modo indissociável, do ambiente no qual as pessoas se expressam” (PIOVESAN. 2004 Pág., 40). Esta relação entre o rádio e o ouvinte promove a interlocução entre os envolvidos neste processo de comunicação do qual se estreita através da informação que alcança os mais diversos lugares, superando a distância e chegando ao seu objetivo. Isso se dá a vários fatores como a facilidade ao acesso, à linguagem utilizada e as possibilidades de interatividade, possibilitando também abrir novos espaços para a construção e troca de novos conhecimentos entre as pessoas.

As primeiras experiências em rádio difusão e aprendizagem como forma de propagar a educação no território brasileiro, deram-se através de programas transmitidos pela Rádio Educativa, criado em 1937 a partir da doação da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro ”a emissora veiculava um misto de cursos, lições e palestras seriadas” (ANDRELO.2008 pág.14). Embora tivesse o cunho educativo passava pela rigorosa fiscalização do controle da imprensa oficial representado pelo Departamento de Imprensa e Propaganda. Ainda neste período, surgiu a experiência da comunicação enquanto propagador de aprendizagem e de mobilização política, no qual se focou as regiões mais distantes dos grandes centros para o processo de alfabetização através do movimento de educação de base (MEB) e que ”em 1961, criou escolas radiofônicas, marcando a participação da Igreja Católica nas experiências com o rádio educativo”. (ANDRELO. 2008 pág.15).

O rádio também foi instrumento usado como bandeira de luta para os movimentos sociais e sua trajetória está ligada a fatos históricos, políticos e culturais que passaram no contexto social do mundo e do país, e sua grande relevância enquanto ferramenta de informações sobre os fatos que aconteciam no cenário brasileiro, tendo um papel fundamental na abertura política nacional. Assim se consolidou enquanto espaço para a democratização e do acesso para a população. Pois “Rádio, cultura e política caminharam juntos na construção da identidade nacional brasileira. Desde o seu início, o veículo serviu de expressão às diferentes manifestações culturais do País”. (HAUSSEN, 2004 pág.51)

Nestes moldes, a comunicação radiofônica foi interligando as conexões entre o pioneirismo e a inovação sem deixar de marcar seu espaço social. Passando pelos corredores da história da radiocomunicação no Brasil, entende-se ainda como período de ouro do rádio as décadas de 40 a 60, considerada a grande hegemonia desse veículo de comunicação e que através das ondas sonoras contribuiu para romper as barreiras geográficas e sociais. Embora com a presença do televisor, os espaços permanecem ainda hoje no cotidiano das pessoas, nos mais diversos formatos para o universo diversificado de ouvintes, de maneira usual e informal que faz do rádio um instrumento de trabalho, de comunicação e interatividade “O rádio vai consolidando seu lugar de honra na nova arena eletrônica, e isso graças a sua mobilidade e a sua chamada “capilaridade”, que é insuperável. E, sobretudo, à riqueza de suas possibilidades” (BUCCI, 2004, Pág.09). E na sequência dessa trajetória histórica e como experiência educativa entre as décadas de 70 a 90, foi lançado pelo governo federal o Projeto Minerva, como programa de incentivo do ensino à distância através da rádio educação, visando instrumentalizar os indivíduos para o trabalho enquanto mão-de-obra qualificada, no entanto não havia a presença da reflexão, da criticidade e não havia contextualização dos conteúdos com a realidade, pois a proposta para o exercício dessa modalidade de ensino, estava ligada aos moldes das regiões do sul e sudeste do País. Por essa razão provocou-se uma negação quanto ao uso do rádio como recurso de aprendizagem, nas décadas seguintes esta visão passara a ser outra com um formato mais próximo da realidade social, ocorrendo na transição do período de governo militar para a retomada da redemocratização por volta no início dos anos 90 e reabri-se as discussões sobre a qualidade do ensino nas escolas públicas, abordando as possíveis implantações das tecnologias da comunicação e informação no processo educacional, chegando na atualidade, no grande universo das transmissões por via satélite e internet. Modificando os formatos, transmitindo as informações, chegando ao cenário educativo através do processo da Educomunicação[1].

A RADIOCOMUNICAÇÃO E A ESCOLA

Nestes moldes inovadores, nas discussões e implementações curriculares e das novas diretrizes que buscam proporcionar a interdisciplinaridade enquanto proposta integradora e de uso pedagógico envolvendo os segmentos presentes na escola, encontra-se a Rádio na Escola, com a sua importância e o seu papel social, desempenhando também a função de atividade interdisciplinar. “A interdisciplinaridade não representa um modo de conhecimento ou a uma postura diante do conhecimento, mas um esquema para articular conhecimentos” (GARCIA, 2008).

Atualmente, considera-se a rádio escolar como suporte pedagógico pela possibilidade de acesso ao espaço tecnológico-midiático e de aprendizagem, visando interagir e integrar-se com público juvenil que faz parte deste ambiente, favorecendo o processo da comunicação e da informação, interligando as redes ou teias, formando eixos representados por integrantes que se identificam com esta prática educativa “a comunicação é um campo de trocas e interações, que permitem perceber-nos, expressar-nos e relacionar-nos com os outros, além de ensinar e aprender”. (MORAN, 2007, Pág. 35) 

E no processo educativo a troca de informações se faz presente seja através da escrita, da oralidade, do audiovisual, das expressões e das mais diversas mídias e tecnologias, tornando-se um processo estimulante no sentido de fomentar a interação no ambiente educativo, visando alcançar o público estudantil com a sua transmissão através das ondas e da linguagem radiofônica dentro do espaço escolar, contribuindo com a construção da cidadania. “O rádio tem um potencial educativo e capacidade de atender as novas exigências educacionais, sobretudo de entender o aluno como um ator ativo, e consequentemente, a aprendizagem como um processo de produção”. (ANDRELO. 2008, Pág.255). Este espaço pode tornar-se a extensão da sala de aula e também como a ferramenta de voz para todos os alunos e professores, reiterando a importância desse veículo de informação dentro da escola, sua contribuição como espaço inclusivo e de valorização do protagonismo juvenil.

 É notável a sua importância na produção pedagógica, na interação e dinamismo dos conteúdos, na autonomia e no desenvolvimento das habilidades, abrindo as fronteiras da escola, buscando também promover o diálogo com a comunidade.

Assim, cabe aos envolvidos no cenário escolar, buscar integrar e inserir os espaços de produção de aprendizagem existentes dentro da escola que viabilize o processo educativo de maneira contínua, autônoma, dinâmica, para que alcance resultados positivos e produtivos, levando os alunos a um patamar de conhecimentos com condições reais de crescimento com uma formação significativa e colaborativa para a sua vida além dos muros escolares. E se destina a todos os aprendizes que se identificam com a produção radiofônica, integrando-se com o desenvolvimento de atividades interdisciplinares.

Os integrantes de uma rádio escolar passam a ser referencial, a sua participação auxilia em suas produções linguísticas, na liderança e na disciplina, por isso, a importância deste tipo de trabalho no meio educativo. O papel fundamental de um meio de comunicação escolar é tornar-se um recurso ou instrumento útil na aprendizagem “Numa perspectiva didática, uma rádio na escola abre a possibilidade de um tratamento diferenciado tanto para as atividades interdisciplinares e extraclasses, quanto para o desenvolvimento dos conteúdos curriculares, permitindo aos alunos lidar com novas linguagens”. (SOARES, 2013). E o principal papel dessa ferramenta visa integrar o público estudantil a novos conhecimentos e possibilidades de aprendizagem, que relacione os conteúdos estudados na sala de aula com as mídias, acontecendo assim o processo de interdisciplinaridade. A Rádio Escolar integra o uso midiático para a colaboração de um processo inovador dentro do ambiente escolar, voltando-se para a realização de ações pedagógicas que envolva o exercício da cidadania e construção de um ambiente produtivo de conhecimentos. “A integração das mídias vai além dos limites tecnológicos, atingindo dimensões pedagógicas e humanísticas, quando supera as questões mais técnicas e também passa a desenvolver preocupações relativas às condições de cidadania” (FARIA 2006. pág. 8). Dentro do universo educativo, fatores como o protagonismo juvenil e a inclusão social são primordiais para a efetiva participação da juventude nas mais diversas áreas de conhecimento, seja nas instâncias políticas, sociais, estudantis, ambientais e também no campo das tecnologias, que busca espaços democráticos e de ação que possam envolver este considerado número de cidadãos. Denomina-se Protagonismo Juvenil “a busca de identidade, de novas realidades, um novo olhar e novas práticas, é uma expressão positiva que vai abrir um campo de possibilidades no campo social e da cidadania e na participação política” CARRANO, Conceito e Ação – Protagonismo Juvenil in Universidade Federal Fluminense.

Protagonismo é aprender a participar, em uma perspectiva coletiva e atuante, no sentido de incentivar a participação nos diversos segmentos sócio, histórico e educativo do qual todo jovem faz parte. No entanto, para que aconteça essa real mudança no espaço do qual o jovem está inserido, é necessário refletir, sobre a permissão da ação juvenil, dentro de reais espaços para que o jovem venha contribuir no seu meio social, inicialmente dentro das escolas. A Escola por se tratar de um espaço democrático e de acesso de todas as camadas sociais, é a referência para a organização e desenvolvimento das teias e de saberes que envolvem todas as juventudes.

É importante destacar que, a juventude de hoje está mais imediatista, ela busca por realizações em menos prazo, em relação às juventudes de outra época, e isto leva a questionamentos sobre a existência de maiores preocupações por parte deste grupo social. No entanto, a própria mudança de gerações e até dos hábitos culturais e sociais, interferem efetivamente neste público.

 Ainda nesta breve abordagem e discussão no processo de aprendizagem encontra-se a inclusão social. Ao promover a inclusão dos indivíduos sociais nos diversos segmentos, permite-se garantir direitos conquistados de acesso e permanência nos setores educacionais. Onde o espaço escolar pode ser a mola propulsora e promotora da inclusão nas diversas áreas e especificidades. Para (SOUZA, 2006) “O conceito de inclusão social está diretamente relacionado ao de cidadania. Ser cidadão é ter acesso às oportunidades oferecidas pela sociedade em que se vive, é poder participar de forma plena na sociedade nos diferentes níveis em que ela se organiza e se exprime: ambiental, cultural, econômico, político e social”. “Na afirmativa de KROTH”, Inclusão in Profala[2] “A educação será inclusiva quando respeitar a caminhada de cada sujeito de um determinado grupo, é uma aprendizagem necessária e fundamental numa vivência dentro de uma perspectiva inclusiva” Esta relação dialógica incentiva os indivíduos através de ações pedagógicas integradoras, para que possam sentir-se parte do processo educativo. Proporcionando a inclusão dentro do espaço escolar, enquanto valorização da autoestima, interagindo com as diversas identidades e promovendo principalmente a aceitação e acolhimento, o respeito e valorização dos gêneros, das culturas, das etnias, das pessoas com necessidades educativas especiais, visando interação de todos no ambiente escolar. Considerando as suas habilidades, conhecimentos prévios e a possibilidade de novas aprendizagens. Pois para Mantoan “o princípio democrático da educação para todos só se evidencia nos sistemas educacionais que se especializam em todos os alunos”. Nesta perspectiva inclusiva do qual os alunos possam interagir e contribuir para a dinamização e para a sua formação dentro e fora no ambiente escolar, encontra-se inserido o espaço Rádio Escolar, que em seus objetivos propõe-se promover a inclusão social dos alunos através da educação radiofônica, entre as mais diversas possibilidades de uma aprendizagem inclusiva e colaborativa e como bandeira de fortalecimento para o protagonismo juvenil, no incentivo para as ações participativas deste público específico, para a democratização dos saberes comunicacionais interligados à educação, para um novo olhar e as novas possibilidades.

 

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA/MÉTODO/ DISCUSSÃO ARGUMENTATIVA.

Esta pesquisa fundamenta-se nos estudos bibliográficos dos pesquisadores da área radioeducação entre eles: José Manuel Moran, Zeneida Alves Assumpção, Paulo Carrano, Ismar de Oliveira Soares e Paulo Freire. Fomenta-se a importância deste objeto em estudo nesta área educacional.

E com a utilização do método hipotético-dedutivo[3] que norteia as etapas a serem desenvolvidas através da observação e dos conhecimentos prévios como problema inicial a partir da prática cotidiana. Com o objetivo de verificar a hipótese em estudo “Rádio Escolar: possibilidade de aprendizagem” e os entraves e avanços encontrados nesta pesquisa, para nortear possíveis mudanças a partir dos resultados alcançados, ou seja, abertura para uma nova teorização. Com base nestas etapas, o objeto de estudo poderá alcançar novas possibilidades, um novo redimensionar dentro da prática pedagógica. Esta pesquisa fica em aberto para novos estudos no sentido de colaboração, acompanhamento, reformulação com objetivo de construir novos paradigmas para o uso midiático no ambiente escolar enquanto recurso pedagógico.

A tecnologia avançou, criaram-se espaços e ciberespaços, entrou no cenário escolar. Com estes avanços muito mais do que equipamentos projetados para as diversas funcionalidades, propôs a abertura para a democratização e acesso do ensino através dos multimeios educativos que envolvem tecnologias e mídias. Estas no campo educacional, quando pesquisadas, planejadas e efetivadas na prática de fato, forma um leque de possibilidades contribuindo positivamente com aprendizado.

Apesar dos avanços, no ambiente educacional faz-se necessário a implementação de políticas públicas educacionais que permitam a inserção das tics na formação dos educadores para que a comunidade escolar tenha um olhar diferenciado sobre o uso das tecnologias no processo ensino aprendizagem, é bem verdade, as tecnologias e as mídias apesar de fazerem parte do dia a dia, ainda são timidamente utilizadas pela comunidade escolar como uma ferramenta pedagógica, estão dando os primeiros passos em relação ao uso pedagógico e de forma fragmentada. Por isso é importante buscar conhecer para fazer o uso inteligente das tecnologias, seja como as salas informatizadas, com seus equipamentos inovadores, seja no uso assíncrono das ferramentas usuais das redes sociais, ou seja, na mais peculiar desses meios comunicativos e educativos, o Rádio Escolar que na sua flexibilidade passou na ressignificação dos meios de comunicação de massa, para a abertura e implementação enquanto espaço para o uso educacional, com uma visão redimensionada, da simples informação para o patamar de recurso pedagógico.

O uso de novas metodologias e atividades colaborativas motivam o aprimoramento e a construção de novos conhecimentos, interligam os conhecimentos prévios e empíricos dos atores educativos com práticas educacionais, o ambiente escolar necessita abrir-se para a construção de um novo paradigma que envolve os saberes dos educandos com a experiência dos professores, que buscam romper os limites conteúdista da sala de aula com dinamização e ousadia para uma prática inovadora, um novo fazer, uma nova cultura, reinventando e usando novos formatos e metodologias, buscando proporcionar avanços para a superação dos desafios existentes no universo escolar, que na sua maioria, acontecem como práticas fragmentadas ou isoladas, e isso se dão também pela falta de incentivo, conhecimento e investimento, a necessidade da coletividade para que se envolva o trabalho de forma significativa e produtiva. Permitindo-se a uma prática diferenciada em sua rotina escolar. Quebrar as resistências, a negação e se permitir a vivência de uma nova experiência no ambiente escolar são desafios a serem superados, acreditar nas possíveis mudanças e na transformação pelos meios educativos é uma forma de acreditar no público que faz parte deste cenário. Transformar a teorização e a observação em prática é sem dúvida o grande desafio de todo o processo de aprendizagem, torná-lo muito mais que uma rotina escolar, é dar a oportunidade e a liberdade de expressão para os indivíduos sociais através dos diversos tipos de conhecimentos que estão dentro da escola e favorece romper as fronteiras para a busca do novo. A interação media as possibilidades de o novo fazer pedagógico e também profissional, pois dá condições de comunicar-se, trocar informações e favorecer o crescimento social e educacional. Com base nesta abordagem, este trabalho acadêmico fica em aberto para novas pesquisas e fundamentações que favoreçam o aprimoramento da prática midiática no ambiente escolar, mostrando as possíveis mudanças com foco na aprendizagem dos alunos e para uma prática interdisciplinar e comunitária com ferramentas, práticas e conhecimentos, que levem a práxis e a construção de um letramento pautado em pesquisas científicas e nas experiências vivenciadas pelos atores educativos.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

As tecnologias da comunicação e da informação estão bem presentes na realidade de todos os atores educativos, sejam mais efetivamente para uns do que para outros, na escola é notável hoje essa presença. No entanto, há uma exploração mínima como recurso para a aprendizagem, tornando-se até mesmo uma prática isolada em determinados setores do ambiente escolar ou ainda visto como algo utópico, e que muitos profissionais ainda não visualizam como espaço utilitário de aprendizagem, restringindo a sua prática aos limites da sala de aula. É necessário que aconteça na escola formação continuado nesta área para que os docentes sintam-se motivados, participantes e conhecedores de uma prática com uso midiático e com as possibilidades no seu fazer pedagógico, pois para a realização de projetos educativos é de suma importância a parceria desses profissionais. Para que isso venha acontecer, é necessário ainda rever as questões como recursos e a própria abertura e entendimento de gestores e em uma ampla discussão a implementação de diretrizes que estabeleçam de fato ações pedagógicas que integrem as mídias no currículo escolar. Neste contexto, encontra-se a Rádio Escolar que em sua função inicial vem sugerir uma prática diferenciada através das diversas ferramentas tecnológicas educacionais, visa contribuir com as metodologias e com as práticas na sala de aula, propondo-se como abertura de novas possibilidades de aprendizagem, um novo fazer pedagógico e um novo olhar para as práticas com as tics enquanto propostas norteadoras, integrando produções educativas nas mais diversas áreas e que possam ser trabalhadas de maneira interdisciplinar, proporcionando um ambiente favorável para a aprendizagem, incentivando a autonomia, a inclusão social e o protagonismo juvenil dos educandos.

Nesta perspectiva, de autonomia e de uma prática dinamizada com as mídias coloca-se para a apreciação esta pesquisa de cunho científico, de incentivo e contribuição do uso pedagógico da ferramenta Rádio Escolar como espaço colaborativo de aprendizagem, no formato de radiocomunicação através do enunciado Rádio Escolar: Possibilidades de aprendizagem, de inclusão social e de fortalecimento do protagonismo juvenil na Escola Estadual José do Patrocínio que se fundamenta nos estudos teóricos, na pesquisa e na prática cotidiana dentro do ambiente escolar com o uso de metodologias que envolvem a organização, planejamento, pesquisa e formação continuada para o aprimoramento dos conhecimentos dos alunos, para a efetivação de uma prática pedagógica inovadora no sentido de contribuir com o ambiente escolar através produção audiovisual, promovendo este espaço enquanto provedor de aprendizagem. Assim, esta pesquisa buscou provocar indagações para a comprovação da importância deste espaço e de suas ferramentas como suporte pedagógico e com possibilidade de uso interdisciplinar e coletivo. Buscando a reflexão sobre uma práxis inovadora, interativa, integradora, com a dinamização das mídias e das tecnologias educacionais que fazem parte deste formato de aprendizagem.

 

REFERÊNCIAS:

Andrelo, Roseane. Política educacional e as tecnologias de informação e comunicação: o rádio na educação escolar / Roseane Andrelo – 2008 Tese (Doutorado em Educação Escolar) – Universidade Estadual Paulista. Faculdade de Ciências e Letras, Campus de Araraquara.

ASSUMPÇÃO, Zeneida Alves. A Rádio na Escola. Departamento de Comunicação Estadual de Ponta Grossa. Disponível em: http://www.bemtv.org.br/portal/educomunicar/pdf/radionaescola.pdf.

BARBOSA Filho, André. PIOVESAN, Angelo Pedro. BENETON, Rosana (Org.) Rádio: Sintonia do Futuro: São Paulo: Paulinas, 2004.

Boletim Debate: Mídias na Educação. Secretaria de Educação à distância. Salto para Futuro. Ministério da Educação. Brasília. 2006.

Bonatto et al. (2012) INTERDISCIPLINARIDADE NO AMBIENTE ESCOLAR In Seminário de Pesquisa em Educação da Região Sul.2012.PDF.

BRASIL. Secretaria de Educação Básica. Formação de professores do ensino médio, etapa I – caderno II: o jovem como sujeito do ensino médio / Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica; [organizadores: Paulo Carrano, Juarez Dayrell]. – Curitiba: UFPR/Setor de Educação, 2013. Pág.46.

CAJUEIRO, Roberta Liana Pimentel. Manual para a elaboração de trabalhos acadêmicos: guia prático do estudante. 1ª ed. Rio de Janeiro, 2013. Pág. 90 a110.

CÁS, Danilo Da Metodologia do Trabalho Científico. Manual teórico-prático para elaboração metodológica de trabalhos acadêmicos. São Paulo: Jubela Livros, 2008.Cap. 06 e 07.pág.78 a 96.

CITELLI, Maria Cristina Castilho Costa­. Educomunicação: construindo uma nova área de conhecimentos/Adílson Odair – São Paulo: Paulinas, 2011.COSTA Silva Módulo Avançado 2 Serviços de Radiodifusão. Educação e comunicação. Mídia-educação no contexto escolar: Mapeamento crítico nas escolas de ensino fundamental em Florianópolis. UFSC. GT 16. Agência financiadora CNPq.

GARCIA, J.A Interdisciplinaridade Segundo Os Pcns. Rev. de Edu. Pública Cuiabá v. 17 n. 35 p. 363-378 set. /Dez. 2008. PDF.

MORAN, José Manuel. Desafios na comunicação pessoal: gerenciamento integrado da comunicação pessoal, social e tecnológico. São Paulo: Paulinas, 2007. Capítulos 02 a 04, pág. 35,39,103p.

Programa Ética e Cidadania: construindo valores na escola e na sociedade: protagonismo juvenil / organização FAFE – Fundação de Apoio à Faculdade de Educação (USP), equipe de elaboração Ulisses F. Araújo… [et al.].

Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, 2007.4 v. Programa de Desenvolvimento Profissional Continuado Conteúdo: Protagonismo juvenil – módulo 1: Ética – módulo 2: Convivência Democrática – módulo 3: Direitos Humanos – módulo 4: Inclusão Social, 2000.

SOUZA, Luciano Simões de Souza. A educação pela comunicação como estratégia de Inclusão Social: O caso da Escola Interativa. Dissertação de Mestrado. Reflexão Teórica Capítulo III 1. O sentido de cidadania e inclusão social. São Leopoldo, 2006. pág 52.

Disponível<http://portaldoprofessor.mec.gov.br/noticias.html?idEdicao=79&idCategoria=8> com acesso em 27de novembro de 2014.

http://www.institutoalianca.org.br/Protagonismo_Juvenil.pdf

http://ufftube.uff.br/video/8SRSOAX522RW/Conceito-e-A%C3%A7%C3%A3o–Protagonismo-Juvenil

Disponível em <http://www.profala.com/arteducesp167.htm Lidia Maria Kroth.Inclusão> acesso em 09 de dezembro de 2014.

Disponível <http://www.usp.br/nce/?wcp=/aeducomunicacao/saibamais/textos/texto,2,46,231>acesso em 30 de Dezembro de 2014.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 43. Ed., São Paulo: Paz e Terra, 2011.

Disponível em http://www.observatorioradiodifusao.net.br/observatorioradiodifusao> Acesso realizado em 04 de Fevereiro de 2015.

Disponível em <http://livrepensamento.com/2013/10/01/o-metodo-hipotetico-dedutivo/> acesso em 04 de Fevereiro de 2015.

Disponível em https://www.google.com.br/?gws_rd=ssl#q=tradutor acesso em 19 de Fevereiro de 2015.

 

Notas

[1]Educomunicação: um campo de mediações a inter-relação comunicação/educação como campo de diálogo, espaço para o conhecimento crítico e criativo, para a cidadania e a solidariedade. ISMAR DE OLIVEIRA SOARES.

3Profala: Disponível em <http://www.profala.com/arteducesp167.htm Lidia Maria Kroth.Inclusão> acesso em 09 de dezembro de 2014.

[3] Hipotético-dedutivo. No método hipotético-dedutivo, a investigação científica visa construir e testar uma possível resposta ou solução para um problema.

 

 

*Marlene do Socorro Rosário Sousa é Licenciada em Pedagogia pela Universidade Federal do Amapá. Pós-graduanda em Mídias na Educação pela Universidade Federal do Amapá email. marlenesousa.amapa.2013@gmail.com

 

Post Author: partes