Domingo é dia das MÃES
Por Madalena Carvalho
Domingo é dia das MÃES,
Assim. Em letras maiúsculas.
Porque mãe nunca coube em letra pequena.
Hoje acordei pensando nisso.
Uma amiga comentou comigo que deixa o jantar do filho pronto antes mesmo de ele chegar em casa. Respondi sem pensar: coisas de mãe.

E talvez seja exatamente isso que define uma mãe: essas pequenas liturgias invisíveis que ninguém ensina. Gestos que não aparecem em fotografia, não recebem aplauso, não entram no currículo… mas sustentam o mundo sem fazer barulho.
Então me lembrei de um Dia das Mães perdido em alguma dobra bonita da memória.
Eu trabalhava na Ford Motor Company. Sábado e domingo eram os únicos dias em que eu me permitia acordar tarde.
Naquele domingo, minha mãe saiu cedo para a missa.
E eu tinha o Cognac.
Sim… Cognac.
Com grafia francesa, porque até o nome do cachorro precisava ter personalidade.
E eu o chamava de filho. Sem a menor cerimônia.
Acordei antes dela voltar da igreja.
Fui à cozinha com aquele silêncio preguiçoso de domingo… e encontrei uma mesa de café da manhã posta com um cuidado quase sagrado.
Tinha uma caneca de presente.
E dentro dela, um bilhete:
“Feliz Dia das Mães.
Do seu filho Cognac.”
Minha mãe nunca questionou o fato de um cachorro ser chamado de filho.
Nunca corrigiu.
Nunca ironizou.
Nunca me olhou com aquele sorriso de superioridade que tanta gente usa quando não compreende o afeto do outro.
Ela simplesmente entendeu.
Preparou a mesa.
Comprou a caneca.
Escreveu o bilhete.
Porque algumas mulheres carregam uma sabedoria silenciosa: amor não precisa fazer sentido para os outros para ser verdadeiro.
E talvez seja isso que a palavra “mãe” realmente signifique.
Não biologia.
Não obrigação.
Não um título social.
Mãe é quem escolhe cuidar.
Quem acorda cedo para preparar uma mesa que talvez ninguém veja sendo arrumada.
Quem escreve um bilhete em nome de um cachorro chamado Cognac… e faz isso com a mesma delicadeza com que escreveria para qualquer filho de dois pés.
Mãe é presença.
É tradução do amor em gesto.
Por isso, hoje, desejo que todas as mães — as de sangue, as de alma, as de quatro patas, as de colo, as da vida inteira e até as que chegaram sem aviso — recebam pelo menos um instante de ternura que as faça sentir vistas.
Nem que seja um bilhete esquecido dentro de uma caneca.
E já ouvi alguém me dizer uma vez:
“Madá… você é mãe de muita gente e nem percebe.”
Talvez seja verdade.
Então hoje eu só quero mandar um beijo aos meus filhos.
Os de sangue.
Os de alma.
E os que a vida me deu sem me pedir licença.

Mentora de executivos e equipes há 28 anos.
Provoco líderes a encontrarem clareza, verdade e presença em um mundo movido pela urgência.






