O PORTO DE SANTOS E O DESENVOLVIMENTO DO TURISMO

Por Adilson Luiz Gonçalves
Esse foi o tema de um dos painéis do evento 2º Fórum Band – Os Desafios do Desenvolvimento Portuário, Logístico, Transporte e Turismo, promovido pela TH+Band.
Tive a honra e o prazer de ser convidado para moderar esse painel, que contou com a participação de protagonistas no setor.
A relação do Porto de Santos com o turismo é tão antiga quanto a cidade que o sedia, guardadas as devidas proporções. A rigor, ela pode ser considerada desde o início da colonização do Brasil. No entanto, ela se tornou mais evidente com a operação regular de cruzeiros marítimos.
Atualmente, o Porto de Santos é responsável pela principal operação de cruzeiros do Brasil!
Desde 1998, quando essa operação passou a ser realizada em terminal especializado, e não nos antigos e impróprios armazéns de carga, mais de 14 milhões de passageiros passaram por ele.
O turismo de cruzeiros, em si, é uma parte de um processo que envolve múltiplas especialidades e especificidades correlatas. Embarcar e desembarcar envolve o que fazer antes e depois. Para tanto, o destino deve ter atrativos para os que chegam ou partem.
Quais são os tipos de turismo?
Existem vários, a saber: lazer e recreação, negócios e eventos, cultural, ecoturismo, aventura, religioso e espiritual, gastronômico, estudos e intercâmbio, saúde e bem-estar (incluindo esportes) e rural.
Santos e toda a Região Metropolitana da Baixada Santista (RMBS) oferecem opções para todo tipo de turismo.
Antes disso, o Porto de Santos foi o destino de grandes correntes imigratórias, que trouxeram milhares de pessoas de várias nações, sobretudo portugueses, espanhóis, italianos e japoneses, para o Estado de São Paulo. Eles não vieram como turistas, mas como indivíduos esperançosos por uma vida nova e próspera, que para aqui vieram e contribuíram significativamente para o desenvolvimento econômico do país. Os descendentes desses imigrantes estão espalhados pelo Brasil, mas nem sempre conhecem a história dos pioneiros.
Nesse sentido, creio que também poderia ser incluída outra categoria de turismo: o afetivo.
A cidade de Santos, especificamente, dispõe de atrativos turísticos em vários âmbitos: o Centro Histórico, a Bolsa Oficial de Café, o Museu do Porto, o Panteão dos Andradas, a sede da Secretaria de Turismo, Comércio e Empreendedorismo, construções dos tempos coloniais, como o Mosteiro de São Bento, as Igrejas do Valongo, de Nossa Senhora do Rosário e do Complexo do Carmo, a capela do Monte Serrat, a Casa do Trem Bélico.
Além disso, Santos é pródiga em eventos esportivos nacionais e internacionais, além de sediar três clubes fundadores da FPF, Jabaquara, Portuguesa Santista e Santos FC, berço de craques do futebol.
O ecoturismo é outro destaque regional, com ênfase na Mata Atlântica, nas vias navegáveis, nos passeios de escuna, nas atividades de pesca artesanal e de mergulho em áreas como a da Laje de Santos. Santos está no Guinness Book por possuir o maior jardim de orla do mundo! O Aquário Municipal é o segundo ponto turístico mais visitado do Estado. O Orquidário e o Parque Municipal Roberto Mário Santini também são atrativos para os amantes da natureza e de esportes radicais.
Santos é reconhecida nacionalmente pela qualidade de vida e por sediar o maior complexo portuário do Hemisfério Sul. Sim, o Porto de Santos também é um ativo turístico por excelência!
Santos possui mais de 5 mil leitos turísticos. O total da RMBS supera 49 mil leitos.
As unidades hospitalares de Santos são referências regionais e estaduais.
O Centro de Convenções, na Ponta da Praia, bem como outros espaços disponíveis na cidade e região, proporcionam ambiente ideal para convenções empresariais e outros tipos de eventos.
A gastronomia regional está cada vez mais diversificada, embora mantenha a tradição da culinária regional, portuguesa, espanhola, italiana e oriental.

Comer uma Meca Santista, disponível no cardápio de vários restaurantes, é fundamental!
Embora a RMBS não se destaque no âmbito rural, uma excursão ao Vale do Ribeira pode ser a opção, partindo de Santos.
Especificamente quanto ao turismo de cruzeiros marítimos, é tão interessante que há propostas de novos terminais em Santos, Praia Grande e, no litoral norte, em São Sebastião (atualmente, navios de cruzeiro ficam ao largo, com o acesso à Ilha Bela por meio de “tenders”), cuja viabilidade econômica e ambiental deve ser avaliada.
Mas toda a infraestrutura turística, por melhor que seja, demanda publicidade objetiva, pacotes turísticos interessantes e bons receptivos locais.
O turismo de um dia é importante, porém é preciso buscar opções que assegurem permanência maior dos visitantes, favorecendo os setores hoteleiro, gastronômico e de serviços, importantes geradores de emprego na região.
Enfim, o Porto de Santos tem papel fundamental no turismo regional, nacional e internacional, e tem desempenhado cada vez mais seu potencial.
A transferência do atual terminal de cruzeiros para o Valongo deve melhorar ainda mais esse tipo de operação, também contribuindo para revitalizar o Centro Histórico de Santos.
Atualmente, a participação do setor de turismo na arrecadação do ISSQN em Santos gira em torno de 1% a 2%. Esse percentual pode ser ampliado?
É possível, viável e imprescindível para a diversificação e ampliação das atividades econômicas de Santos e região, ainda mais considerando os prováveis impactos da Reforma Tributária.
O importante é ter em mente que sempre existirão oportunidades de melhoria, o que envolve ações coordenadas da Autoridade Portuária, da Prefeitura e de todos os setores envolvidos no processo, consolidando as atividades de comércio, serviços e turismo como geradores de receita, empregos e, principalmente, de consolidação de Santos e região como um destino turístico de excelência.
Adilson Luiz Gonçalves
Escritor, Engenheiro, Pesquisador Universitário e membro da Academia Santista de Letras







