A MAIOR RIQUEZA

Existe um dito popular que diz o seguinte: “Pais ricos, filhos nobres, netos pobres”.
De forma bem mais elaborada, G. Michael Hopf escreveu: “Tempos difíceis criam homens fortes, homens fortes criam tempos fáceis, tempos fáceis criam homens fracos, e homens fracos criam tempos difíceis”.
De fato, conheço casos de herdeiros que nunca trabalharam na vida, dedicando-a a gastar tudo o que recebiam de “mesada” — provavelmente para não atrapalharem — ou herdaram. Um deles se orgulhava disso, inclusive! Era um famoso “playboy” brasileiro. Mas há outros exemplos vivos.
O problema não está na riqueza herdada, mas nos valores familiares transmitidos. Esses talvez sejam a melhor herança!
A trajetória de quem progride por mérito pode ser árdua. No entanto, a de quem decai socialmente é dramática.
Difícil é o tempo atual.
Isso é função de múltiplas fraquezas. No entanto, é possível encontrar relatos de superação, muito em função dos valores transmitidos por pais que assumiram suas responsabilidades perante os filhos.
Ouvi atentamente a história de um amigo que, órfão de pai ainda adolescente, viu sua mãe se desdobrar para criá-lo e à sua irmã.
Certa feita, seu desempenho escolar foi premiado com uma viagem, mas seria necessário dinheiro para despesas menores. Ao contar à mãe, ela disse que seria impossível, o que o frustrou profundamente. No entanto, pouco depois ela lhe disse que daria um jeito.
A viagem ocorreu e, segundo ele, transformou sua maneira de ver o mundo. Hoje, ele agradece à mãe pelo esforço em viabilizar esse início de sonho.
Lembrei-me de meus pais.
Manoel era operário, formado em ginásio técnico, trabalhando desde os oito anos, e Hilda, que cursara o primário, era costureira e dona de casa. Tiveram cinco filhos.
A primeira prioridade de meu pai era a casa própria, conquistada com trabalho diuturno e muita economia. A segunda foi proporcionar estudo aos filhos, além de sólidos valores de honestidade, moral, respeito ao próximo e a consciência de que a evolução só ocorre por mérito.
Ele nos orientou para que fizéssemos cursos técnicos e começássemos a trabalhar o quanto antes, como forma realizarmos nossos sonho. Impulso para o bem, freio para o mal.
Eu e meus irmãos começamos a trabalhar entre 14 e 15 anos. Meu irmão mais velho e eu cursamos escolas técnicas e o que ganhávamos antes e durante os cursos universitários permitiu que nos graduássemos nas áreas escolhidas.
Seguimos e nos aperfeiçoamos em nossas carreiras, também ampliando horizontes, enfrentando desafios e resistências de quem se sentia incomodado. Sempre buscamos evolução pelo mérito, tendo os valores familiares como bússola.
Atualmente, o mérito vem sendo desprezado em favor da mediocridade manipulável, estrutural. O ensino não prepara adequadamente para uma vida útil. Pais transferem a responsabilidade da educação para terceiros inaptos ou maliciosos. O comodismo e o vitimismo se tornaram meios de vida.
Felizmente, quem tem valores morais e éticos sólidos, herdados de pais responsáveis, e não se submete à doutrinação, seguramente não esmorecerá.
A esperança é que seus filhos herdem essa verve e saga, e saibam dar valor ao que realmente merece!
Essa é a maior riqueza!
Adilson Luiz Gonçalves
Escritor, Engenheiro, Pesquisador Universitário e membro da Academia Santista de Letras








