MÃE: MUITO MAIS DO QUE UM PORTO SEGURO!

Toda mãe é, ao mesmo tempo, um oceano, tudo o que nele navega e porto seguro de origem e destino.

A partir da concepção, cada um de nós navegou em seu seio, dele recebendo calor, alimento, enfim, a vida!

Sim, mãe é o estaleiro da vida!

Dessa primordial navegação submersa, um dia ela nos traz à tona, dando-nos à luz.

A partir daí, ela nos ensina a dar as primeiras braçadas na vida, a entender que os nós não são limites, mas a força que nos move nos mares do cotidiano, como os nós impelem as embarcações nos oceanos.

Mãe alerta para os perigos do mar e mapeia as rotas dos navios que podem nos levar aonde desejarmos ir.

Ela também nos ensina onde lançar âncoras, quando o caminho é incerto ou quando o destino é atingido.

Ser calmaria em meio a tempestades, ao mesmo tempo que o sopro que nos livra do marasmo também é de sua natureza materna.

Também é ser a estrela que nos guia nas noites escuras e, sempre que preciso, ser um porto seguro em qualquer latitude e longitude física ou espiritual.

Mãe é o principal instrumento de Deus sobre a Terra, pois a humanidade nasce de seu ventre bendito!

É ela que diz adeus a quem parte para navegar, faz preces por uma viagem segura e acolhe carinhosamente em seus braços, no retorno.

Não há viagem, por mais longa que seja, em que ela não nos acompanhe, em preces e pensamentos.

Sua lembrança corrige rumos e afugenta adamastores e cantos de sereias. Seus conselhos são como um farol a alertar sobre os riscos do navegar.

É um constante e preciso “aviso aos navegantes”, que também sabe ouvir os que pedem orientação e socorro.

E mesmo quando um naufrágio se anuncia, em meio às turbulências da vida, ela sempre será uma tábua de salvação para os que ama.

Uma mãe sempre estará disposta a sacrifícios por seus filhos, mas jamais devemos testar esse limite, pois elas não merecem sofrer nada além das dores do parto, e o mar onde navegamos jamais deve ser o de suas lágrimas.

É certo que nem todas as mulheres têm o dom de gerar vida, mas todas têm o dom de cuidar dos filhos que adotam, não importa a idade, com o mesmo amor e dedicação, pois é seu divino instinto.

Assim, um dia não é suficiente para louvar tanta beleza, tanto denodo, tanto amor.

É preciso todo o tempo de nossa viagem de circunavegação da vida!

Mãe é uma faina diária que se exerce no mar da vida! É ser a capitã de uma viagem na qual todos nós somos aprendizes até sermos senhores de nosso leme.

Que Deus abençoe todas as mães, pois do fruto de seus ventres sempre nascerá a esperança da humanidade!

Adilson Luiz Gonçalves

Escritor, Engenheiro, Pesquisador Universitário e membro da Academia Santista de Letras

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